A vantagem de dividir os meus dias entre o hospital, a biblioteca municipal e o conforto do meu lar é que não tenho de levar com tudo cheio de corações.
(E passou mais um dia dos namorados sem eu dizer que isto é tudo uma palhaçada.)
Most things never happen. Things that I fear. Things that I dream. Things that I love.
Friday, February 14, 2014
Monday, December 30, 2013
Friday, December 27, 2013
A dada altura, na minha adolescência, passei por uma fase menos boa da minha vida. Fiz os meus pais passar por alguns maus bocados, e fiz com que eu própria passasse por eles. Muitas pessoas tiveram conversas sérias comigo nessa altura. Queriam perceber o que se passava; queriam que eu visse que nem tudo era mau, que havia muitas coisas pelas quais eu devia estar grata. Guardo comigo grande parte dessas conversas, ainda que na altura não lhes tenha dado grande valor.
Muitas dessas conversas foram com os meus pais, que nessa altura disseram coisas mais acertadas do que o que eles podem imaginar. Numa dessas conversas alguém me disse: "Sabes, Inês, tu ainda não sabes, mas ainda não és a pessoa que vais ser. Os próximos dez anos da tua vão condicionar quem és nos restantes sessenta; se trabalhares nos próximos dez anos pelos teus objectivos, se estudares, se cultivares as amizades, se te regeres pelos valores que te ensinámos, a probabilidade de teres uma vida menos boa é baixa. Agora, se optares pelo caminho mais fácil, se achares que trabalhar não compensa, que é melhor ficar isolada do que ter amigos, daqui a uns anos vai ser mais difícil. A vida não é um sprint, é uma prova de fundo."
Os dez anos acabam mais ou menos por esta altura.
Hoje sou eu que digo a mim mesma: "O próximo ano da tua vida vai condicionar os restantes cinquenta. Por isso trabalha. Estuda, aplica-te, define um objectivo e trabalha para o atingir. Isto não é um sprint, é uma prova de fundo."
Friday, August 23, 2013
InterRail 2013
Foram vinte e dois dias. Vinte e uma viagens num total de mais de oitenta horas. Onze cidades diferentes, em nove países. Muitos sítios diferentes e novos, muitas línguas (embora o inglês tenha claramente sido a mais falada), muitas comidas tradicionais. Também muito pão com paté, ervilhas com atum e fruta, que o dinheiro não cresce nas árvores. Muitos quilómetros percorridos a pé, muitos de metro e autocarro, incontáveis quilómetros percorridos de comboio. Acima de tudo, muitas memórias que vão ficar para sempre. Muitas gargalhadas e muita parvoíce. Gostei da experiência e recomendo vivamente a quem tenha a oportunidade.
Sunday, July 28, 2013
Das coisas que eu nunca vou perceber:
Casais em que uma das pessoas chama "bebé" à outra. O que é isto? Uma maneira dissimulada de mostrar que há um grau elevado de dependência?
Tuesday, July 16, 2013
A última semana foi das piores da minha vida. Lido mal com a incerteza. Lido mal com o falhanço. E nessas alturas o meu modo de coping é fazer planos para se tudo correr mal, partir do pressuposto de que tudo vai correr mal e pensar no que fazer. Por isso na última semana, rodeada da sensação de não ser o suficiente, não saber o suficiente, não dar o suficiente de mim, fiz planos. Estudar Medicina Legal e inglês num semestre, fazer voluntariado num qualquer país no outro. Eu sou assim.
Nestas alturas descobrem-se os verdadeiros amigos. Aqueles que sabem o que dizer e o que fazer. Aqueles que dão apoio, que sabem não falar do que não é preciso mas ajudar a esquecer aquilo quanto ao qual (já) não há nada a fazer. É bom saber que eles existem. É bom saber que há amizades assim, (quase) incondicionais.
A cadeira ficou feita. Os planos B que criei não vão ser postos em prática. Mas aquilo que tudo isto me ensinou tem uma utilidade. Não sou cristã e por isso não acredito que o sofrimento é bom. Não digo que o balanço foi positivo - não foi. Mas consegui tirar algo de bom de isto tudo: percebi realmente o que são pessoas imprescindíveis. A todas elas um muito obrigada.
Monday, July 8, 2013
A frustração
Chumbei a Medicina Legal.
(Acho que nunca tive um começo de um post tão fantástico.)
É basicamente isso. Já não chumbava a cadeiras há 3 anos (altura em que chumbei com 9,4 a Neurociências - no ano seguinte acabei Neurologia com 17, pormenores). Tive mais de 15 nos monstros deste ano. E chumbei a Medicina Legal, que é uma cadeirinha da treta. O mais ridículo? Eu até tinha estudado. Fiquei em casa a estudar quando podia ter ido para a praia. E agora tenho dois dias e nem sei bem o que vou fazer.
O engraçado é que o sentimento é um bocadinho diferente do de há dois anos. Claro que me paira na cabeça o medo de não ter passado ao exame que ainda não recebi a nota. Claro que me passa pela cabeça que posso chumbar na quinta-feira - e que isso é uma merda. Mas enquanto há 3 anos o sentimento era de tristeza, agora é mesmo só frustração. Porque estudei. Porque me esforcei. E sim, eu sei que a vida é mesmo assim, mas é uma merda.
(E irrita-me um bocadinho que digam que só calhei no monte errado; que o meu exame foi visto na altura errada; que tinha de ser alguém e (infelizmente) fui eu. Porque isso implica que não há nada que possa fazer. E esse sentimento é ainda pior.)
(Acho que nunca tive um começo de um post tão fantástico.)
É basicamente isso. Já não chumbava a cadeiras há 3 anos (altura em que chumbei com 9,4 a Neurociências - no ano seguinte acabei Neurologia com 17, pormenores). Tive mais de 15 nos monstros deste ano. E chumbei a Medicina Legal, que é uma cadeirinha da treta. O mais ridículo? Eu até tinha estudado. Fiquei em casa a estudar quando podia ter ido para a praia. E agora tenho dois dias e nem sei bem o que vou fazer.
O engraçado é que o sentimento é um bocadinho diferente do de há dois anos. Claro que me paira na cabeça o medo de não ter passado ao exame que ainda não recebi a nota. Claro que me passa pela cabeça que posso chumbar na quinta-feira - e que isso é uma merda. Mas enquanto há 3 anos o sentimento era de tristeza, agora é mesmo só frustração. Porque estudei. Porque me esforcei. E sim, eu sei que a vida é mesmo assim, mas é uma merda.
(E irrita-me um bocadinho que digam que só calhei no monte errado; que o meu exame foi visto na altura errada; que tinha de ser alguém e (infelizmente) fui eu. Porque isso implica que não há nada que possa fazer. E esse sentimento é ainda pior.)
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