Friday, December 14, 2012

Falta uma semaninha para ir para casa. Já ouço música de Natal enquanto estudo, já tenho parte dos presentes comprados, jantares de Natal marcados, a árvore de Natal 'montada' e estou mortinha, mortinha por ficar de 'férias'. Agora é só despachar o banco de Ortopedia de amanhã, a histórica clínica de Obstetrícia na segunda, o exame de quarta-feira e a aula de ORL de sexta e toca a ir para casa, que esta altura pede lareira, que aqui não há.

Tuesday, December 11, 2012

Dos planos para o dia

A ideia era acordar cedinho, passar na padaria portuguesa a comprar um daqueles maravilhosos croissants com fiambre, alapar o rabo numa cadeira da Biblioteca de Letras e só sair de lá ao final do dia. Claro que assim que a companhia se cortou troquei Letras pelo Hospital, o estudo por uma aula, o croissant de fiambre por uma meia-de-leite morna e só agora alapei o rabo na cadeira para ver se começo a estudar. Faltam 8 dias e perdi os meus apontamentos de esófago ( O DRAMA!), de modo que está na hora de despachar isto de uma vez por todas.

Tuesday, December 4, 2012

Começa a contagem decrescente para o primeiro exame prático (e para a tão desejada ida para casa). Mudam-se as rotinas, os sítios de estudo, o horário de sono e a quantidade de café. Faz-se por se acabar com o mau humor e vai-se iniciando aos poucos o 'modo exames', que continuará com toda a força quando chegar a hora de ir para casa, na 'minha' biblioteca. Como nos bons velhos tempos.

Sunday, December 2, 2012

Às vezes tenho pena de (quase) só ter amigos de Lisboa, pessoas que vivem com os pais e irmãos e mantêm (quase) as mesmas rotinas que tinham quando andavam no secundário.
Há dias, depois de decidir que não ia a uma festa da faculdade (que implicava usar vestido de gala e saltos altos - que não são de todo as minhas coisas preferidas, muito menos quando ando cansada e com trezentas coisas para fazer - e à qual nenhum dos meus amigos ia), comentei com uma dessas amigas que um dia me ia arrepender. Saio pouco em Lisboa. Saio garantidamente muito menos do que o que saio quando vou a casa. Em casa é rara a noite em que não vou tomar café, nem que seja um café rápido, só para dizer 'Olá!'. Em Lisboa chegam a passar meses e na grande maioria das vezes em que vou (9 em cada 10, suponho), é com as mesmas pessoas com quem saio em casa. É engraçado como é possível isto acontecer durante anos seguidos sem uma pessoa se aperceber. E depois quando finalmente pensamos sobre o assunto reparamos que o tempo que passamos com os nossos melhores amigos são dentro das quatro paredes do hospital, que a meia dúzia de vezes que nos vemos fora destas (e que pouco passam da meia dúzia) é em coisas organizadas pela faculdade, e que há alturas em que nos sabia mesmo bem um cafezinho depois do jantar, e percebemos que talvez nos faltem uns quantos amigos na vida, daqueles a quem telefonamos às dez da noite a dizer: 'vamos tomar café?' e a resposta é quase sempre sim. Daqueles que tenho em casa e que, aparentemente, me fazem falta por cá.


(Ou eu mudei um bocado no último ano ou percebi finalmente muita coisa que me tem atormentado este tempo todo)

Friday, November 23, 2012

A vida podia ser sempre tão simples como a vejo neste momento. A versão de Apollinare Rossi da música 'I still haven't found what I'm looking for' a ecoar pela sala de estar. Um macarrão com carne picada, cogumelos e cenoura pronto a ir ao forno. Uma manta nas pernas, um marcador numa mão e uma desgravada na outra. Eu sentada no sofá, no fim de uma tarde de estudo produtiva, a acabar uma aula que até nem está a correr mal, enquanto espero que a companhia para o jantar chegue. Os amigos de sempre. Sim, a vida podia ser sempre assim simples. Isto também é felicidade.

Monday, November 19, 2012

Numa das últimas vezes que lá estive em casa pediu-me que fosse buscar uma fotografia que estava em cima do móvel.
- Sou eu e o teu Tio. Lembras-te dele?
- Tenho uma memória vaga de jogar com ele às damas, na sala grande de casa da minha avó.
- Sim, o teu Tio gostava de jogar às damas.
Depois calou-se e ficámos algum tempo assim, a olhar para o passado. Não tenho grandes recordações do meu tio, apenas esta recordação vaga de jogar às damas. Não me lembro da sua morte, não me lembro do seu funeral. Só das damas. Tenho mais recordações da minha Tia, com o seu ar imponente, sempre muito pintada, impecavelmente arranjada. Ainda hoje, quando penso nela é esta imagem que me surge, ela há uns dez ou doze anos, o cheiro da maquilhagem misturado com o do perfume (Channel número 5?).

Estive em sua casa pouco mais de meia dúzia de vezes nos últimos quatro anos. Da primeira vez disse 'Estás enorme!', tal e qual como manda a tradição. Não falávamos muito. Eu levava-lhe uma caixa de bombons ou duas dúzias de bolachas e ela perguntava-me por todas as pessoas da família, uma por uma, como que a mostrar-me que sabia os seus nomes, embora os trocasse de vez em quando. Por vezes trocava mesmo o meu, confundindo-me com a minha mãe. Às vezes eu corrigia-a, outra vezes não. Quando chegava a hora de eu ir embora, agradecia-me a visita e chorava. Eu agarrava-lhe a mão e dizia que sim, que mandava cumprimentos à família toda.

A Vida não foi fácil com ela. Levou-lhe o marido, levou-lhe o filho e depois levou-lhe a juventude, a beleza e a vaidade. Nas últimas vezes que lá estive em casa estava com o cabelo por pintar e um fato de treino que também servia, com certeza, de pijama. Estava sentada numa poltrona com a televisão à frente, o som muito alto, a imagem muito distorcida. Via uma novela qualquer, 'É aquilo que me vai mantendo ocupada.'. Depois, por motivo nenhum, pediu-me que quando lá voltasse levasse fotografias dos meus primos. Havia alguns que ainda não tinha conhecido, e gostava de os ver. Disse-lhe que sim. Foi há meio ano. Nunca lhas levei.

A vida passa assim, a correr. Deixamos o rame-rame do dia-a-dia tomar conta de nós e esquecemos estas pequenas promessas. Hoje a Vida deu descanso à minha Tia. Depois de ter levado o marido, o filho, a juventude, a beleza e a vaidade, levou-a a ela. Connosco fica a imagem de sempre.

Saturday, November 17, 2012

Em conversa com um amigo de (relativa) longa data, numa conversa que começou por ser sobre a relação estranhíssima de uma amiga comum, depois de eu ter informado que os namorados são sobrevalorizados:

-É bom ver que te manténs na mesma, que ainda não aderiste ao grupo das raparigas de vinte-e-poucos anos que 'Oh meu deus, oh meu deus, ou arranjo alguém rapidamente ou vou ficar sozinha para o resto da vida, a comer gelado da embalagem rodeada por uma dúzia de gatos!' e acabam com um tipo qualquer que, honestamente, a longo prazo me parece pior ideia do que o monte de gatos.

Dou uma gargalhada. Conheço o género. Conheço o género demasiado bem; arrisco dizer que eu própria fiz parte deste grupo quando, há uns meses, pedi à Jo para marcar um café com o namorado e um amigo dele. Felizmente nunca aconteceu, ele arranjou alguém entretanto e eu ganhei juízo.

- Sim, as minhas prioridades mantêm-se. Mas sabes, tenho uma vantagem grande: gosto de gelado e gosto de gatos. E prefiro acordar e estar sozinha do que acordar um dia com um imbecil ao meu lado pelo simples facto de ter estado desesperada o suficiente para ficar com ele só porque sim.

Riu-se.

-Se acordares um dia e estiveres sozinha, com uma embalagem grande de gelado, rodeada de gatos, liga-me. Se os meus filhos não forem asmáticos podes ficar com eles aos fins-de-semana.