Na minha faculdade temos a sorte de poder fazer alguns estágios do sexto ano fora de Lisboa. Há uma lista razoável de hospitais com protocolo com a faculdade, alguns dos quais que me davam algum jeito. Por isso, aconselhada por uma interna com quem estive na urgência há pouco tempo, resolvi mandar uma mensagem via facebook a alguns internos que estão agora nesses hospitais. Acedi à lista das colocações no ano comum (obrigada, Jo, por me teres ensinado há tanto tempo a cuscar a vida dos outros), procurei o nome dos internos que estão nesses hospitais, escolhi meia dúzia deles e toca a mandar mensagem. Não estava com grande esperança, a sério que não. Mas eis que, não mais de 3 minutos depois, recebo a resposta de uma rapariga. Uma resposta simpática, simpática, com todas as informações possíveis e imaginárias, conselhos sobre que estágios fazer em Aveiro e quais fazer em Viseu, médicos fantásticos num sítio e no outro e disponibilidade para responder a qualquer dúvida que tenha. Venham lá agora dizer-me que o facebook não serve para nada!
Tuesday, November 6, 2012
Se por acaso estiverem a ter um dia mau (ou uma sequência jeitosa de dias francamente maus), passem pelo thenicestplaceontheinter.net - quase tão bom como uma canja de galinha quentinha comida à lareira.
Fitas doiradas, por-do-sol raiadas a riscar o mar.
Meros testemunhos, folhas de rascunhos do curso a acabar.
Canções de amizade, refrões de saudade de quem vai partir.
Adeus Faculdade, adeus terna idade, lembrança a sorrir.
Dentro de um estudante o eterno amante de capa luar.
Existe a vontade de que a faculdade o deixe ficar.
Mas tal como o dia, a noite fugidia irá destronar.
Também negras capas transformam-se em batas para não mais voltar.
O tempo não cede ao clamor que lhe pede para voltar atrás.
Das fitas apenas memórias serenas de um sonho fugaz.
A página vira e a alma respira por mais um momento.
Seis anos de amor, paixão e fulgor, levou-os o vento.
No ano passado foi assim. A cada ano que passa a Balada da Despedida está mais próxima de ser a minha, a cada ano que passa a Balada da Despedida dá-me um aperto maiorzinho no peito. Amanhã é a última Noite da Medicina antes da minha. Parece que foi ontem que entrei pela primeira vez no Coliseu dos Recreios, caloirinha, com tanto para aprender. Gosto desta tradição. Gosto do facto de termos sentido de humor suficiente para organizarmos uma coisa destas, e gosto do facto de sermos sentimentalistas o suficiente para ficar com a lágrima no canto do olho com a Balada da Despedida e o Fado do Estudante.
Monday, October 29, 2012
Os heróis que colocaste em pedestais caem aos trambolhões e rebolam agora na sarjeta. Subitamente não há pessoas perfeitas. Ali estão eles, caídos no chão, entre lágrimas e lama, as imperfeições à vista de quem quiser olhar. Apercebem-se também que não são perfeitos. Não o souberam antes, percebem-no agora, rebolando no chão e conspurcando tudo à sua volta. E a ti. Lágrimas e lama. A incerteza do amor incondicional abala os pilares pelos quais te reges e dá-te naúseas. O dever de amar e a incapacidade de compreender fervem dentro de ti e fazem com que, também tu, contribuas para a acumulação de lágrimas. E a vontade é a de gritar. Gritar aos teus heróis que agora rebolam na lama que são uma farsa. Que são tão ou mais imperfeitos do que tu. Mas não suportas ver-lhes as lágrimas a correr pela face ruborizada, ao perceberem que não são perfeitos. E só queres que isto acabe. As lágrimas. A lama.
Sunday, October 28, 2012
'Já não gosto mais de ti.'
Mandou-me esta mensagem via messenger, quase duas semanas depois de me ter enchido a janela de corações e lábios que emitiam o som de beijinhos repenicados e de me dizer que se um dia se afogasse gostava de ser salvo por mim. Depois, do nada, 'Já não gosto mais de ti.'. Eu tinha 13 ou 14 anos e chorei. Chorei na realidade e mostrei-lho virtualmente. 'Dois pontos apóstrofo abrir parêntesis', em resposta ao seu 'Já não gosto mais de ti.'. Quis uma explicação mas ele não tinha nada a dizer, excepto 'Já não gosto mais de ti.'. Nessa noite não dormi. Ele fazia anos dali a uns dias e eu tinha gasto as minhas poupanças num perfume para lhe oferecer, o Calvin Klein da embalagem de plástico branca e laranja, que estava agora debaixo da minha cama sem destino definido depois daquele 'Já não gosto mais de ti.'.
Em Março deste ano estive na mesma situação, uma prenda numa mão e um 'Já não gosto mais de ti.' implícito na outra. Tenho mais oito anos em cima e a reacção ao 'Já não gosto mais de ti.' foi a mesma.
Hoje, passados mais sete meses, faço a mim mesma uma promessa. A de nunca dizer 'Já não gosto mais de ti.'. Porque mesmo que seja verdade é uma verdade que dói. E ninguém merece.