Thursday, October 18, 2012

Felicidade é uma escapadela em Londres, com um dia naquilo que mais gosto e uma manhã e uma tarde de latte na mão a matar saudades da cidade que não conheço tão bem como gostaria.

Saturday, October 13, 2012

Ontem à noite recebi uma mensagem da minha 'caloirinha' (que já não é caloirinha nenhuma) a dizer que tinha dado 3 pontinhos na cabeça de um senhor.

Coisas que me passaram pela cabeça:
1- Agora que começou a deixar marcas nas pessoas nunca mais vai querer parar
2- Ensinei-a bem: urgências para suturar fazem-se à sexta ou sábado à noite
3- A MINHA CALOIRINHA JÁ SUTURA?! Estou a ficar velha...

Wednesday, October 10, 2012

Há tempos uma pessoa que me é próxima perdeu uma amiga. Era uma pessoa jovem, pouco mais velha do que eu, saudável. Nada fazia prever o que aconteceu, mas a verdade é que um dia ela estava cá e no dia seguinte não estava. Não houve oportunidades para despedidas. Ficou o arrependimento de não ter dito mais vezes 'gosto de ti'.

Tenho passado a última semana a saltitar de hospital em hospital, entre aqueles que frequento como aluna e aqueles que frequento como visita. Um amigo daqueles que vi crescer ao meu lado está internado e, embora não seja nada que não tenha solução, todos os dias me tem custado deixá-lo sozinho à noite. Tenho dito 'gosto de ti' mais vezes. Caraças, tenho dito 'gosto de ti' todos os dias. Porque eu sei que não vai acontecer nada, mas se por acaso acontecesse eu ia saber que ele sabia. E não ia ter de viver com o peso de um 'gosto de ti' que não foi dito.

(E ao que parece eles pesam comó-raio...)

Monday, October 1, 2012

Ei-lo. O último ano de aulas. O tão falado e tão temido quinto ano. Não sei o que aconteceu, mas o tempo passou a correr.

Estamos a ter aulas no mesmo anfiteatro onde estávamos no primeiro e segundo ano. Estamos rodeados de pessoas que não nos são minimamente familiares (o que me relembra que no ano passado não fui à praxe uma única vez), pessoas que olham para nós como se fossemos grandes. Não me sinto grande. Na minha agenda tenho escritas coisas como 'urgência de pediatria', 'partograma', 'marcar banco de ortopedia', 'saber informações da urgência de cirurgia', coisas de adultos, que eu sei que vou adorar (porque adorei no ano passado, porque adoroo que estou a fazer), mas que ainda me dão taquicardia. Tal como o nome 'daquele' Professor, de casa vez que me ocorre que a probabilidade de ter se fazer oral é gigantesca.

E eu quero não pensar nisso tudo, juro que quero. Mas não sei se é do início do ano, se é de ser o último ano com aulas, se é por outra razão qualquer, mas a verdade é que não se ouve falar de outra coisa.


(E agora deixo aqui a minha felicidade por ter conseguido que me imprimissem as desgravadas mesmo como eu queria: em A5 para poder andar com elas para todo o lado. E ainda dizem que eu sou difícil de contentar.)

Monday, September 24, 2012

Faz amanhã cinco semanas que cheguei. O tempo passou a correr, e o amor por esta terra foi crescendo ao mesmo tempo que aumentavam as saudades de casa. Há aqui coisas que não suporto. As únicas três velocidades: devagar, devagarinho e parado (que se traduz no 'leve leve' que este povo tanto diz). A desorganização que leva ao cancelamento de uma cirurgia por não haver compressas quando no dia anterior as deram para alguém secar as mãos. A forma como as crianças gritam na berma da estrada "Dôxi, dôxi, dôxi", por terem sido educadas (?) a acreditar que não importa se não temos nada, alguém nos há-de dar o que não temos. A mão minúscula de um bebé de dez meses com peso de recém-nascido, porque a mãe simplesmente nunca se importou o suficiente para o alimentar. E no entanto, na hora de me começar a despedir, agarro-me a este país como o recém-nascido de dez meses me agarrou o dedo depois de lhe ter feito um carinho. Em cinco semanas aprendi a amar esta terra. Aprendi a amar este povo que não é meu como se fosse. E na hora da despedida tenho um nó na garganta e pesa-me no peito o olhar de cada criança, o sorriso de cada uma das pessoas que eu conheci por cá, as saudades de um lugar que foi a minha casa e que não sei se algum dia vou voltar a ver. Na hora da despedida caem-me pela face as lágrimas que não apareceram em Portugal.


(Faltam menos de 36 horas para estar em casa. Até já.)