Estava eu a dizer neste post (que podem ir ler porque é de há 5 minutos e de certeza que ainda não leram) que depois das aulas estava a combinar o que tenho de levar amanhã. Sim, chegou finalmente aquela altura fantástica do ano em que os FMéLicos vão em excursão para o Algarve para fazerem em quatro dias aquilo que não fazem durante o resto do ano. São quatro dias de pura borga, com alguma bebida e muita diversão à mistura, e de onde surgem algumas das melhores memórias do nosso curso. Umas mini-férias em que não temos de pensar em medicina nem nada do género, e que temos a oportunidade de conhecer a faceta mais normal de alguns dos nossos colegas, com os quais em situações normais não falamos sobre nada excepto o curso. Em suma: é brutal. Não fui no primeiro ano porque achava que tinha de estudar e arrependi-me imenso. No segundo ano foram fantásticas e tive alguns dos melhores momentos da minha vida. No ano passado houve alguma confusão com o pessoal do meu quarto, mas apesar disso gostei.
Este ano ficámos com um apartamento para dez pessoas e a coisa promete. Depois conto novidades (ou não, para não ferir as mentes mais sensíveis..).
Most things never happen. Things that I fear. Things that I dream. Things that I love.
Thursday, April 19, 2012
Hoje à tarde estava eu muito bem à porta do hospital, a combinar com algumas pessoas do meu quarto o que tenho de levar amanhã (mais sobre isso num post que vem já, já a seguir), quando chega uma carrinha da EMEL. Isto não é nada de novo, é certo e sabido que quem deixa o carro à portinha do hospital corre o risco de ficar com ele bloqueado. E na verdade não há muita gente a fazê-lo, normalmente só lá estão carros de um ou outro aluno que tem só de dar um saltinho ao hospital e vem já. Os senhores da EMEL pararam a carrinha, eu comentei que alguém ia ter uma surpresa desagradável mesmo antes das Olimpíadas, e continuámos a nossa conversa. Passados cinco minutos, começamos a reparar numa autêntica algazarra: tinha chegado a dona de um dos carros. Devia ter 60 e poucos anos e vinha acompanhada pela filha e genro, que assistiam impávidos e serenos à situação. A senhora berrava, insultava os senhores da EMEL, deu um encontrão a um deles e, quando dou conta... já ela está dentro da carrinha da EMEL a dizer que não sai enquanto não lhe desbloquearem o carro. Pedia que chamassem a polícia e a televisão, porque dali ela não saía. Enquanto um senhor da EMEL telefonava para a polícia (porque afinal de contas aquilo era desrespeito à autoridade! E porque eles tinham de fazer o seu trabalho - que não deve ser o mais agradável do mundo, mas é o que eles têm), o outro resolve entrar na carrinha, avisar que não está para aturar aquilo e que vai seguir com a senhora lá dentro e pronto. Por momentos achei mesmo que ele arrancasse e andasse meia dúzia de metros, mas a ameaça foi suficiente para a senhora abrir a porta, sair da carrinha e.... sentar-se à frente da carrinha agarrada ao pára-choques (a Jo tem uma foto disto. Se ela não estivesse a namorar já ma tinha mandado ou já a tinha posto no blog. Mas claro que ela acha que o namorado é mais importante do que pôr a foto no blog... que estupidez! de qualquer forma quando ela se dignar a isso eu deixo aqui o link). Nesta altura já se tinha juntado uma meia-dúzia de pessoas, que assistiam à cena de longe, e uma senhora que não tinha relação nenhuma com ninguém que estivesse envolvido que falava com os senhores da EMEL na tentativa de que eles desbloqueassem o carro. A senhora permaneceu sentada no chão uns minutos largos, e a filha lá decidiu finalmente conversar com um dos senhores da EMEL e pagar a multa. Desbloquearam o carro, tiraram a fita à volta e a filha entra no carro, chama a mãe e diz-lhe que não são modos de se comportar, a senhora levanta-se, diz meia dúzia de asneirolas para a filha, dirige-se à senhora que tinha estado a tentar que os senhores da EMEL desbloqueassem o carro, aponta-lhe o dedo e diz "Oh minha velha, tu queres é homens! Estás aqui À volta deles, não é? Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii" e finalmente as palavras que hei-de recordar para sempre: "Hás-de ir para o Inferno e eu vou-te lá encontrar! Hás-de ter a rata a arder!". Virou costas e seguiu a pé,e embora a filha ainda tenha chamado por ela, alguns segundos depois acabou por arrancar.
E agora eu pergunto: Este é ou não é um dos melhores insultos de sempre?
(E só agora é que eu relacionei o 'ter a rata a arder' com o 'esquentamento' que um doente há tempos me disse que tinha tido, e que eu vim a saber que era sinónimo de gonorreia. Será que a senhora estava a desejar de uma forma mais engraçada que a outra apanhasse gonorreia? Ah pois é!)
Adenda no dia 24/04: Finalmente a Jo já se deu ao trabalho de pôr a fotografia. Podem vê-la aqui.
E agora eu pergunto: Este é ou não é um dos melhores insultos de sempre?
(E só agora é que eu relacionei o 'ter a rata a arder' com o 'esquentamento' que um doente há tempos me disse que tinha tido, e que eu vim a saber que era sinónimo de gonorreia. Será que a senhora estava a desejar de uma forma mais engraçada que a outra apanhasse gonorreia? Ah pois é!)
Adenda no dia 24/04: Finalmente a Jo já se deu ao trabalho de pôr a fotografia. Podem vê-la aqui.
Wednesday, April 18, 2012
Cá em casa festeja-se sempre com comida não portuguesa. Nepalês, japonês, chinês, italiano, indiano, ... Tudo menos a bela da comida portuguesa. Não se faz um caldinho verde, um arroz de polvo, uma massada de marisco. Não. Encomenda-se sempre comida de uma outra qualquer nacionalidade. Ainda gostava de perceber porquê.
Enquanto percebo e não percebo, vou ali comer uma comidinha japonesa e já volto, sim?
Enquanto percebo e não percebo, vou ali comer uma comidinha japonesa e já volto, sim?
Monday, April 16, 2012
Não sei se algum dia aqui tinha dito que vivo com a minha irmã mais nova. Tem menos dois anos (vinte e dois meses, na realidade) do que eu e, tal como todos os irmãos mais novos, gosta imenso de me chatear (na verdade acho que às vezes nem faz de propósito. Mas chateia na mesma)
No fim-de-semana os meus pais vieram visitar-nos e trouxeram um Pão-de-Ló de Alfeizerão. Claro que hoje quando vinha no metro depois das aulas me lembrei disso e fiquei com vontade de comer uma fatia. Eis que quando chego a casa me deparo com isto:
(A sorte dela é que eu na maior parte dos dias até gosto dela. Se não fosse minha irmã de certeza que andava uns tempos a comer Pão-de-Ló de palhinha. Principalmente agora, que a Jo me ensinou a dar socos!)
Sunday, April 15, 2012
Histórias do Hospital
Na minha curta passagem pelo serviço de Ginecologia/Obstetrícia tive a oportunidade de assistir à seguinte conversa, a respeito de uma grávida que tinha sido colega de curso das duas pessoas que a assistiram no Serviço de Urgência:
A: Olhei para a C e só pensava "ela está tão velha! Será que eu também pareço assim velha?"
B: Aí, pois está, está magrérrima! E parece que tem mais dez anos do que nós!
A: E continua viciada em trabalho! Viste a reacção dela quando lhe disse que ia ter de ficar internada pelo menos 24 horas?! Disse logo ao marido que tinha de lhe trazer uns artigos para ler, que não conseguia ficar sem fazer nada! E quando eu lhe disse que era suposto ela descansar ainda me disse que era só meia dúzia!
B: É incrível! É que ainda está pior do que o que era na faculdade...
Não pude deixar de me rir e de me sentir um bocadinho mal, porque não consigo condenar a senhora por resolver ler artigos quando está internada. E até me perguntei por breves momentos se eu não virei a ser aquela gravida daqui a uns anos.
(Magrérrima e a parecer dez anos mais velha? Não de certeza.)
A: Olhei para a C e só pensava "ela está tão velha! Será que eu também pareço assim velha?"
B: Aí, pois está, está magrérrima! E parece que tem mais dez anos do que nós!
A: E continua viciada em trabalho! Viste a reacção dela quando lhe disse que ia ter de ficar internada pelo menos 24 horas?! Disse logo ao marido que tinha de lhe trazer uns artigos para ler, que não conseguia ficar sem fazer nada! E quando eu lhe disse que era suposto ela descansar ainda me disse que era só meia dúzia!
B: É incrível! É que ainda está pior do que o que era na faculdade...
Não pude deixar de me rir e de me sentir um bocadinho mal, porque não consigo condenar a senhora por resolver ler artigos quando está internada. E até me perguntei por breves momentos se eu não virei a ser aquela gravida daqui a uns anos.
(Magrérrima e a parecer dez anos mais velha? Não de certeza.)
Wednesday, April 11, 2012
Nunca consegui ganhar o hábito de me sentar a tomar o pequeno-almoço antes de sair de casa quando tenho alguma coisa para fazer de manhã. Numa grande parte dos dias pego em qualquer coisa antes de sair de casa e como durante a viagem de metro. Há uns tempos estava eu descansadinha a comer a minha maçã quando a senhora sentada ao meu lado, que já estava a olhar para mim há quase duas estações, me diz:
- Oh filha, desculpe estar-me a meter, mas não devia comer no metro! Isto está cheio de micróbios, ainda vai ficar doente!
Se fosse hoje respondia: Oh minha senhora, eu tenho todos os doentes infectados do serviço a tossir para cima de mim, não se preocupe com isso.
- Oh filha, desculpe estar-me a meter, mas não devia comer no metro! Isto está cheio de micróbios, ainda vai ficar doente!
Se fosse hoje respondia: Oh minha senhora, eu tenho todos os doentes infectados do serviço a tossir para cima de mim, não se preocupe com isso.
Tuesday, April 10, 2012
Na semana passada o meu pai ofereceu-me um iPad. Passei para aqui (sim, que isto está a ser escrito no iPad) livros, artigos e uma panóplia de aplicações que facilitam a minha vida enquanto estudante de Medicina (posso pesquisar um fármacos sem ter de abrir o prontuário?! Yuppi!). A utilização do iPad estava a ser realmente produtiva. Até na segunda-feira ter chegado à faculdade e a Jo me ter feito procurar jogos. Agora é meia-noite e um quarto e estou na cama jogar só mais um jogo de uma cabra que salta em troncos e vai contra águias. Obrigadinha, sim?!
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