Friday, October 7, 2011

Querido mês de Outubro,


Eu sei que Julho, Agosto e Setembro devem passar a vida a dizer-te que as pessoas gostam mais deles do que de ti porque mimimi as férias de verão, e mimimi praia e sol, e mimimi calor e tal. Eu sei que sim, e que deve ser complicado estar sempre a ouvir isso, mas pelo amor a tudo o que é bonito nesta terra, 30º graus já tu vais a meio?! Poupa-me! Sê tu próprio e traz lá um bocadinho de frio, que isto já não se aguenta!

Beijinho,
Inês.

Wednesday, October 5, 2011

Sobre a sociedade, o amor e a vida.

A sociedade ensina-nos desde pequeninos que é suposto vivermos aos pares. Que um dos nossos objectivos de vida tem de ser arranjar alguém com quem partilhar todos os outros objectivos. Que devemos casar e ter filhos e fazer perdurar no tempo o nosso sangue e o nosso nome. Nada disto é obrigatório, mas arranjámos maneira de criticar em tom de gozo quem não o faz: falamos de solteirões, daqueles que ficam para tios, ... Os contos de fadas, os filmes da Disney, as histórias inventadas pelos pais e avós pegam nesta ideia e envolvem-na em magia. Falamos de casais felizes para sempre, com muitos filhos e muitos sorrisos para partilhar. O mau da fita fica sempre só. E assim nasce, em crianças muito pequenas, a ideia de que é preciso ter um namorado. E iniciam-se as brincadeiras de faz-de-conta, em que "faz-de-conta que eu sou uma senhora muito bonita e tu és um senhor muito forte e muito bonito e nós nos apaixonamos e tu perguntas se eu quero casar contigo e temos muitos filhinhos e vivemos felizes para sempre". (E a respostas passa inevitavelmente por um "E faz de conta que agora há uma guerra e morre toda a gente e ..." - os rapazes são sempre menos sensíveis aos contos de fadas do que as meninas...). Esta ideia de família perfeita em que o Marido traz o dinheiro para casa e a Mulher dá o útero e o amor perdura mais ou menos até ao 5º ou 6º ano, onde as raparigas tendem a ganhar a ambição de fazer mais do que ter filhos, e passam a sonhar com uma vida em que é possível conciliar tudo. Nesta altura os rapazes perdem a capacidade de ambicionar o que quer que seja, e quando o fazem é algo como "beber três cervejas seguidas", "dar um beijo à Rita de lá da turma" ou "conseguir copiar no teste sem a stôra dar conta". No secundário tendem a passar por uma fase em que até acham piada à Ciência, e "uma engenharia até era fixe", e conseguem arranjar algum tempinho para estudar nos intervalos de estar com a Teresa, que está tão apaixonada que voltou aos seus seis anos de idade, e só sonha em tirar um curso que não dê muito trabalho, casar e ter filhos.
Eu não me apaixonei a sério até ao último ano do liceu, e quando o fiz já tinha a Medicina tão enraizada na minha mente e no meu futuro que o sonho não se moveu nem um milímetro. Quando nos apaixonamos a valer, quer queiramos quer não, pensamos no futuro ao lado daquela pessoa; e comigo não foi diferente. Mas a dada altura tinha duas paixões incompatíveis, e acabei por ter de optar por uma delas. Fiquei sozinha e entrei em Medicina. E durante muito tempo não consegui deixar a sensação de que se estava sozinha era porque era a má da fita. A minha afilhada começou a pedir-me para lhe ler contos de fadas mais ou menos nessa altura, e eu voltei a achar que só podia ser feliz quando encontrasse alguém. E fui pouco feliz por isso durante bastante tempo.
Depois, cresci. Apaixonei-me no segundo semestre do primeiro ano da faculdade e um enorme desgosto fez-me repensar o meu modo de ver a vida. Estou-lhe muito grata por isso, fez-me sofrer mas ensinou-me a ver a vida com outros olhos. Desde então, sou feliz. Uns dias mais, outros dias menos. Continuo sozinha, eu e a Medicina. Continuo a ler romances e a ver comédias românticas e, de vez em quando, chego mesmo a acreditar em príncipes e em amor à primeira vista. Aprendi a estar e a gostar de estar sozinha, e da liberdade que isso me dá, embora não a goze tão frequentemente quanto isso. E um dia isso vai acabar; mais cedo ou mais tarde, vai acabar. Mas tenho vinte e um anos, e a probabilidade de a minha próxima relação não resultar é grande. Por isso escrevo isto, para me lembrar que um dia eu achei que não era possível ser feliz sozinha, e que a vida me ensinou a sê-lo. Bastou passar a ver a vida com outros olhos.

Tuesday, October 4, 2011

Não acreditem quando vos dizem aquelas baboseiras de "há autocarros, comboios, carros e aviões". Sim, essas coisas efectivamente existem. Mas quando não podem ser utilizados e ainda não há previsão para a sua utilização, e as coisas estão tudo menos definidas, o que acontece é que quando ele dá um passo em frente, tu dás um para trás, e quando tu dás um passo para a frente, ele dá um passo para trás.

Wednesday, September 28, 2011

Há um ano.

Foi há um ano. Foi há um ano que, com o corpo aquecido pelo excesso de álcool, resolvi procurar quem, por uma noite e não mais do que isso, me aquecesse a alma. Ele veio contra mim (mais tarde confessou que propositadamente, e por me ter reconhecido de algumas praxes de que tinha gostado) e isso foi o suficiente. Não me recordo se me passou alguma vez pela cabeça que estava prestes a ir contra os meus próprios princípios, apenas de ter posto os braços por cima da camisola de caloiro e ter dito: 'Olá, eu sou a Inês e acho que bebi um bocadinho mais do que o que devia'. Lembro-me que achei que a barba dele contra a minha face esquerda era estranhamente confortável, que senti que o seu ombro era de tal forma familiar que podia ali ficar durante horas. E fiquei. Começou por me dizer a frase que advertia para o facto de a minha alma não ir ser aquecida da forma que eu estava a contar, mas continuámos abraçados, a falar sobre tudo e sobre nada, e sobre a razão pela qual ambos precisávamos da alma aquecida naquela noite. Quando penso nisso acho engraçado. Procurava alguém que me aquecesse a alma por uma noite e encontrei alguém que me aquece um bocadinho a alma todos os dias e que não permite que arrefeça ao ponto de estar como estava nessa noite. Quando o vi hoje abracei-o como há um ano. "Olá, madrinha! Faz um ano que nos conhecemos. Obrigado!" A minha alma, morna, aqueceu um bocadinho e quase, quase correu uma lágrima pelo canto do olho. Vamos fingir que pelo excesso de álcool.

Tuesday, September 27, 2011

Dilema: Experimentação da PNS ou aula de Medicina Tropical?

Dispensa dada em despacho pelo director, tudo certinho e direitinho, com a experimentação das 9 às 18h e justificação das faltas das 9 às 13h. Até que, voilà!, a falta é justificada mas há na mesma desconto de pontos na corrida para o estágio espectacular-e-fantástico-e-era-mesmo-isto-que-eu-queria de um mês em África. Adoro estas coisas. Portanto agora é decidir o que é mais importante: ir ver o estilo da prova que provavelmente vou fazer daqui a três anos e que vai decidir a minha vida, ou ir a uma aula para não perder pontos e não ficar afastada da corrida para África. E tenho menos de 9 horas para decidir. Fantástico.

Não sei

exactamente do que é que toda a gente está à espera para me dizer que isto é uma enorme estupidez. É que não sei mesmo.

Friday, September 23, 2011

É engraçado,

estou há vinte minutos com isto aberto e escrevo e apago e escrevo e apago. E a única coisa que me ocorre é que isto é engraçado, sem ter graça nenhuma.