Monday, December 31, 2012

Do ano que passou e das perspectivas para o que aí vem.

No primeiro dia deste ano escrevi isto. Decidi alterar completamente as minhas resoluções de ano novo, transformá-las em coisas que me fazem feliz em vez de coisas que fariam de mim alguém que não sou (pelo menos durante quinze dias). Não foi um ano fácil. (Re-)Aprendi que nem tudo é o que parece, e que às vezes por mais que nos esforcemos por algo, isso acaba por não se concretizarPerdi pessoas. Aprendi que não existem heróis. Mas apesar disso, teve muitas coisas boas. Continuei a ter pessoas importantes na minha vida. Aprendi que coisas que parecem muito más, por vezes até nem o são. Ganhei histórias no hospital que, por muito que me tenham custado na altura, um dia vão fazer de mim uma médica melhor. Fui ao meu primeiro congresso de Cirurgia. E claro, vivi durante cinco semanas a maior aventura da minha vida (até ao momento.) E adorei. Disse (muito) mais vezes 'gosto de ti' e dei muitos mais abraços, mesmo dos mais apertados. Sim, apesar de tudo aquilo que achei que ia ser mas não foi, acabei por ser um bocadinho feliz. Por isso, este ano volta a haver revolução nas resoluções de ano novo. Passa a ser só uma: começar a ver o lado positivo.





E a vós desejo um óptimo ano. Que o melhor de 2012 seja o pior de 2013. :)

Sunday, December 30, 2012

Há dias em que tudo aquilo em que consigo pensar é em quão feliz eu era há um ano.

Friday, December 28, 2012

Venho para esta biblioteca 'de vez em quando' desde o 12º ano. Aqui já estudei tudo o que podem imaginar: desde matemática, física e química a cirurgia, neurologia e oftalmologia, passando por anatomia, fisiologia, genética. Lembro-me de aqui entrar de Netter na mão e olhar para as pessoas a ler coisas de anos clínicos a pensar: 'esta gente sabe imenso de certeza!'. Agora sou eu. Vejo pessoas de Netter na mão a olhar para mim, enquanto estudo Obstetrícia. Provavelmente pensam o mesmo que eu pensava. Estão tão enganadinhos! E é nessa altura que uma miúda vem falar comigo. Uma daquelas amigas da minha irmã que eu mal conheço, mas que me vieram pedir conselhos na altura de escolher a faculdade para onde ir. E a primeira coisa que me diz é: 'Desculpa, não te reconheci logo! Estás mesmo com 'ar de médica'!'. E eu não sei o que é que isso significa*, mas dá-me vontade de sorrir.


*provavelmente está relacionado com as olheiras (de origem desconhecida, já que até ando a dormir umas horas razoáveis), as folhas sujas de café e o ar desesperado com que olho para o livro

Sunday, December 23, 2012

Planos para o dia: duas aulas de urologia + duas aulas de pediatria

Resumo do dia: 3 horas de compras com a mãe + 3 horas de cinema


Foi um dia mesmo produtivo -.-'

Wednesday, December 19, 2012

Correu bem. Esqueci-me exactamente aquilo que já sabia que me ia esquecer, mas já estou habituada a isso. Agora são dois dias de férias, canções e compras de Natal. E depois, casa!

Sunday, December 16, 2012

Hoje quando acordei apercebi-me que talvez me esteja a meter numa coisa maior do que aquilo com que consigo lidar. O tema da minha *nova* tese parece muito interessante, mas 1- envolve a zona anatómica de que eu menos gosto, 2- é algo sobre o qual eu nunca tinha ouvido falar 3- é com uma Professora que é um génio, 4- vai ser feita num semestre quase tão mau como este.


OH GOD, NO QUE ME FUI EU METER?!

Saturday, December 15, 2012

:)

- Dois beijinhos.
- Três, como em Paris.

Friday, December 14, 2012

Falta uma semaninha para ir para casa. Já ouço música de Natal enquanto estudo, já tenho parte dos presentes comprados, jantares de Natal marcados, a árvore de Natal 'montada' e estou mortinha, mortinha por ficar de 'férias'. Agora é só despachar o banco de Ortopedia de amanhã, a histórica clínica de Obstetrícia na segunda, o exame de quarta-feira e a aula de ORL de sexta e toca a ir para casa, que esta altura pede lareira, que aqui não há.

Tuesday, December 11, 2012

Dos planos para o dia

A ideia era acordar cedinho, passar na padaria portuguesa a comprar um daqueles maravilhosos croissants com fiambre, alapar o rabo numa cadeira da Biblioteca de Letras e só sair de lá ao final do dia. Claro que assim que a companhia se cortou troquei Letras pelo Hospital, o estudo por uma aula, o croissant de fiambre por uma meia-de-leite morna e só agora alapei o rabo na cadeira para ver se começo a estudar. Faltam 8 dias e perdi os meus apontamentos de esófago ( O DRAMA!), de modo que está na hora de despachar isto de uma vez por todas.

Tuesday, December 4, 2012

Começa a contagem decrescente para o primeiro exame prático (e para a tão desejada ida para casa). Mudam-se as rotinas, os sítios de estudo, o horário de sono e a quantidade de café. Faz-se por se acabar com o mau humor e vai-se iniciando aos poucos o 'modo exames', que continuará com toda a força quando chegar a hora de ir para casa, na 'minha' biblioteca. Como nos bons velhos tempos.

Sunday, December 2, 2012

Às vezes tenho pena de (quase) só ter amigos de Lisboa, pessoas que vivem com os pais e irmãos e mantêm (quase) as mesmas rotinas que tinham quando andavam no secundário.
Há dias, depois de decidir que não ia a uma festa da faculdade (que implicava usar vestido de gala e saltos altos - que não são de todo as minhas coisas preferidas, muito menos quando ando cansada e com trezentas coisas para fazer - e à qual nenhum dos meus amigos ia), comentei com uma dessas amigas que um dia me ia arrepender. Saio pouco em Lisboa. Saio garantidamente muito menos do que o que saio quando vou a casa. Em casa é rara a noite em que não vou tomar café, nem que seja um café rápido, só para dizer 'Olá!'. Em Lisboa chegam a passar meses e na grande maioria das vezes em que vou (9 em cada 10, suponho), é com as mesmas pessoas com quem saio em casa. É engraçado como é possível isto acontecer durante anos seguidos sem uma pessoa se aperceber. E depois quando finalmente pensamos sobre o assunto reparamos que o tempo que passamos com os nossos melhores amigos são dentro das quatro paredes do hospital, que a meia dúzia de vezes que nos vemos fora destas (e que pouco passam da meia dúzia) é em coisas organizadas pela faculdade, e que há alturas em que nos sabia mesmo bem um cafezinho depois do jantar, e percebemos que talvez nos faltem uns quantos amigos na vida, daqueles a quem telefonamos às dez da noite a dizer: 'vamos tomar café?' e a resposta é quase sempre sim. Daqueles que tenho em casa e que, aparentemente, me fazem falta por cá.


(Ou eu mudei um bocado no último ano ou percebi finalmente muita coisa que me tem atormentado este tempo todo)

Friday, November 23, 2012

A vida podia ser sempre tão simples como a vejo neste momento. A versão de Apollinare Rossi da música 'I still haven't found what I'm looking for' a ecoar pela sala de estar. Um macarrão com carne picada, cogumelos e cenoura pronto a ir ao forno. Uma manta nas pernas, um marcador numa mão e uma desgravada na outra. Eu sentada no sofá, no fim de uma tarde de estudo produtiva, a acabar uma aula que até nem está a correr mal, enquanto espero que a companhia para o jantar chegue. Os amigos de sempre. Sim, a vida podia ser sempre assim simples. Isto também é felicidade.

Monday, November 19, 2012

Numa das últimas vezes que lá estive em casa pediu-me que fosse buscar uma fotografia que estava em cima do móvel.
- Sou eu e o teu Tio. Lembras-te dele?
- Tenho uma memória vaga de jogar com ele às damas, na sala grande de casa da minha avó.
- Sim, o teu Tio gostava de jogar às damas.
Depois calou-se e ficámos algum tempo assim, a olhar para o passado. Não tenho grandes recordações do meu tio, apenas esta recordação vaga de jogar às damas. Não me lembro da sua morte, não me lembro do seu funeral. Só das damas. Tenho mais recordações da minha Tia, com o seu ar imponente, sempre muito pintada, impecavelmente arranjada. Ainda hoje, quando penso nela é esta imagem que me surge, ela há uns dez ou doze anos, o cheiro da maquilhagem misturado com o do perfume (Channel número 5?).

Estive em sua casa pouco mais de meia dúzia de vezes nos últimos quatro anos. Da primeira vez disse 'Estás enorme!', tal e qual como manda a tradição. Não falávamos muito. Eu levava-lhe uma caixa de bombons ou duas dúzias de bolachas e ela perguntava-me por todas as pessoas da família, uma por uma, como que a mostrar-me que sabia os seus nomes, embora os trocasse de vez em quando. Por vezes trocava mesmo o meu, confundindo-me com a minha mãe. Às vezes eu corrigia-a, outra vezes não. Quando chegava a hora de eu ir embora, agradecia-me a visita e chorava. Eu agarrava-lhe a mão e dizia que sim, que mandava cumprimentos à família toda.

A Vida não foi fácil com ela. Levou-lhe o marido, levou-lhe o filho e depois levou-lhe a juventude, a beleza e a vaidade. Nas últimas vezes que lá estive em casa estava com o cabelo por pintar e um fato de treino que também servia, com certeza, de pijama. Estava sentada numa poltrona com a televisão à frente, o som muito alto, a imagem muito distorcida. Via uma novela qualquer, 'É aquilo que me vai mantendo ocupada.'. Depois, por motivo nenhum, pediu-me que quando lá voltasse levasse fotografias dos meus primos. Havia alguns que ainda não tinha conhecido, e gostava de os ver. Disse-lhe que sim. Foi há meio ano. Nunca lhas levei.

A vida passa assim, a correr. Deixamos o rame-rame do dia-a-dia tomar conta de nós e esquecemos estas pequenas promessas. Hoje a Vida deu descanso à minha Tia. Depois de ter levado o marido, o filho, a juventude, a beleza e a vaidade, levou-a a ela. Connosco fica a imagem de sempre.

Saturday, November 17, 2012

Em conversa com um amigo de (relativa) longa data, numa conversa que começou por ser sobre a relação estranhíssima de uma amiga comum, depois de eu ter informado que os namorados são sobrevalorizados:

-É bom ver que te manténs na mesma, que ainda não aderiste ao grupo das raparigas de vinte-e-poucos anos que 'Oh meu deus, oh meu deus, ou arranjo alguém rapidamente ou vou ficar sozinha para o resto da vida, a comer gelado da embalagem rodeada por uma dúzia de gatos!' e acabam com um tipo qualquer que, honestamente, a longo prazo me parece pior ideia do que o monte de gatos.

Dou uma gargalhada. Conheço o género. Conheço o género demasiado bem; arrisco dizer que eu própria fiz parte deste grupo quando, há uns meses, pedi à Jo para marcar um café com o namorado e um amigo dele. Felizmente nunca aconteceu, ele arranjou alguém entretanto e eu ganhei juízo.

- Sim, as minhas prioridades mantêm-se. Mas sabes, tenho uma vantagem grande: gosto de gelado e gosto de gatos. E prefiro acordar e estar sozinha do que acordar um dia com um imbecil ao meu lado pelo simples facto de ter estado desesperada o suficiente para ficar com ele só porque sim.

Riu-se.

-Se acordares um dia e estiveres sozinha, com uma embalagem grande de gelado, rodeada de gatos, liga-me. Se os meus filhos não forem asmáticos podes ficar com eles aos fins-de-semana.

Friday, November 16, 2012

Desvantagens de se estudar no iPad:
Se optas por leitores de .chm à borla tens constantemente publicidade a aparecer. Passado algum tempo uma pessoa habitua-se e já nem dá conta. A não ser que a publicidade seja à nova app para o iPad do jogo em que ficaste viciada no facebook e te levou a deixar de usar o pc e passar a usar só o iPad. Nesse caso és capaz de dar conta.

(E fazer o download da app. E passar o jogo até ao nível trinta e tal em vez de estudar tumores hepáticos. É capaz de acontecer isso, é.)


Wednesday, November 14, 2012

Por alguma razão que não percebo, não me apetece fazer nada. Não consigo organizar o estudo, não consigo estudar, não consigo fazer nada de produtivo. Este fim-de-semana vou a casa só para ver se isto melhora. Acho que cheguei à fase de estar saturada do curso. Quero começar a fazer alguma coisa de jeito. Estou farta de ler desgravadas sem nexo nenhum, estou farta de brincar às urgências e às enfermarias e aos blocos, de fingir que estou a ser útil quando na realidade estou só a segurar paredes e a andar de um lado para o outro atrás de médicos que fingem que nos ensinam. (Digam lá se não estou com um humor fantástico?)

Sunday, November 11, 2012

Deixei o coração na UCIN. Deixei o coração e trouxe a nuvem cinzenta, da qual me tento livrar agora, deitada no sofá com uma manta a olhar para a televisão, depois de um jantar de 'confort food'. Dói-me a cabeça.

Saturday, November 10, 2012

'-Quando alguém te diz para não contares alguma coisa, isso inclui-me?
-A ti não, toda a gente sabe isso...
-Óptimo, então vou-te contar uma coisa que me anda a dar cabo da cabeça há duas semanas.

(...)

-Obrigadinha, sim? Agora vou ficar a duvidar de mim mesma durante imenso tempo e desmotivar!
-Olha, eu sinto-me muito melhor!'


Amizade é dividir o peso das coisas más por dois.

Thursday, November 8, 2012

As maravilhas do facebook

Na minha faculdade temos a sorte de poder fazer alguns estágios do sexto ano fora de Lisboa. Há uma lista razoável de hospitais com protocolo com a faculdade, alguns dos quais que me davam algum jeito. Por isso, aconselhada por uma interna com quem estive na urgência há pouco tempo, resolvi mandar uma mensagem via facebook a alguns internos que estão agora nesses hospitais. Acedi à lista das colocações no ano comum (obrigada, Jo, por me teres ensinado há tanto tempo a cuscar a vida dos outros), procurei o nome dos internos que estão nesses hospitais, escolhi meia dúzia deles e toca a mandar mensagem. Não estava com grande esperança, a sério que não. Mas eis que, não mais de 3 minutos depois, recebo a resposta de uma rapariga. Uma resposta simpática, simpática, com todas as informações possíveis e imaginárias, conselhos sobre que estágios fazer em Aveiro e quais fazer em Viseu, médicos fantásticos num sítio e no outro e disponibilidade para responder a qualquer dúvida que tenha. Venham lá agora dizer-me que o facebook não serve para nada!

Tuesday, November 6, 2012

Se por acaso estiverem a ter um dia mau (ou uma sequência jeitosa de dias francamente maus), passem pelo thenicestplaceontheinter.net - quase tão bom como uma canja de galinha quentinha comida à lareira.

Saturday, November 3, 2012

'I am tired.
I am tired.
I am tired.
I tried.

I cannot fix this.'

Tuesday, October 30, 2012

Balada da Despedida






Fitas doiradas, por-do-sol raiadas a riscar o mar.
Meros testemunhos, folhas de rascunhos do curso a acabar.
Canções de amizade, refrões de saudade de quem vai partir.
Adeus Faculdade, adeus terna idade, lembrança a sorrir.

Dentro de um estudante o eterno amante de capa luar.
Existe a vontade de que a faculdade o deixe ficar.
Mas tal como o dia, a noite fugidia irá destronar.
Também negras capas transformam-se em batas para não mais voltar.

O tempo não cede ao clamor que lhe pede para voltar atrás.
Das fitas apenas memórias serenas de um sonho fugaz.
A página vira e a alma respira por mais um momento.
Seis anos de amor, paixão e fulgor, levou-os o vento.





No ano passado foi assim. A cada ano que passa a Balada da Despedida está mais próxima de ser a minha, a cada ano que passa a Balada da Despedida dá-me um aperto maiorzinho no peito. Amanhã é a última Noite da Medicina antes da minha. Parece que foi ontem que entrei pela primeira vez no Coliseu dos Recreios, caloirinha, com tanto para aprender. Gosto desta tradição. Gosto do facto de termos sentido de humor suficiente para organizarmos uma coisa destas, e gosto do facto de sermos sentimentalistas o suficiente para ficar com a lágrima no canto do olho com a Balada da Despedida e o Fado do Estudante. 







Monday, October 29, 2012

Os heróis que colocaste em pedestais caem aos trambolhões e rebolam agora na sarjeta. Subitamente não há pessoas perfeitas. Ali estão eles, caídos no chão, entre lágrimas e lama, as imperfeições à vista de quem quiser olhar. Apercebem-se também que não são perfeitos. Não o souberam antes, percebem-no agora, rebolando no chão e conspurcando tudo à sua volta. E a ti. Lágrimas e lama. A incerteza do amor incondicional abala os pilares pelos quais te reges e dá-te naúseas. O dever de amar e a incapacidade de compreender fervem dentro de ti e fazem com que, também tu, contribuas para a acumulação de lágrimas. E a vontade é a de gritar. Gritar aos teus heróis que agora rebolam na lama que são uma farsa. Que são tão ou mais imperfeitos do que tu. Mas não suportas ver-lhes as lágrimas a correr pela face ruborizada, ao perceberem que não são perfeitos. E só queres que isto acabe. As lágrimas. A lama.

Sunday, October 28, 2012

'Já não gosto mais de ti.'

Mandou-me esta mensagem via messenger, quase duas semanas depois de me ter enchido a janela de corações e lábios que emitiam o som de beijinhos repenicados e de me dizer que se um dia se afogasse gostava de ser salvo por mim. Depois, do nada, 'Já não gosto mais de ti.'. Eu tinha 13 ou 14 anos e chorei. Chorei na realidade e mostrei-lho virtualmente. 'Dois pontos apóstrofo abrir parêntesis', em resposta ao seu 'Já não gosto mais de ti.'. Quis uma explicação mas ele não tinha nada a dizer, excepto 'Já não gosto mais de ti.'. Nessa noite não dormi. Ele fazia anos dali a uns dias e eu tinha gasto as minhas poupanças num perfume para lhe oferecer, o Calvin Klein da embalagem de plástico branca e laranja, que estava agora debaixo da minha cama sem destino definido depois daquele 'Já não gosto mais de ti.'.

Em Março deste ano estive na mesma situação, uma prenda numa mão e um 'Já não gosto mais de ti.' implícito na outra. Tenho mais oito anos em cima e a reacção ao 'Já não gosto mais de ti.' foi a mesma.

Hoje, passados mais sete meses, faço a mim mesma uma promessa. A de nunca dizer 'Já não gosto mais de ti.'. Porque mesmo que seja verdade é uma verdade que dói. E ninguém merece.

Monday, October 22, 2012



and I am not sure which one will win today.

Thursday, October 18, 2012

Felicidade é uma escapadela em Londres, com um dia naquilo que mais gosto e uma manhã e uma tarde de latte na mão a matar saudades da cidade que não conheço tão bem como gostaria.

Saturday, October 13, 2012

Ontem à noite recebi uma mensagem da minha 'caloirinha' (que já não é caloirinha nenhuma) a dizer que tinha dado 3 pontinhos na cabeça de um senhor.

Coisas que me passaram pela cabeça:
1- Agora que começou a deixar marcas nas pessoas nunca mais vai querer parar
2- Ensinei-a bem: urgências para suturar fazem-se à sexta ou sábado à noite
3- A MINHA CALOIRINHA JÁ SUTURA?! Estou a ficar velha...

Wednesday, October 10, 2012

Há tempos uma pessoa que me é próxima perdeu uma amiga. Era uma pessoa jovem, pouco mais velha do que eu, saudável. Nada fazia prever o que aconteceu, mas a verdade é que um dia ela estava cá e no dia seguinte não estava. Não houve oportunidades para despedidas. Ficou o arrependimento de não ter dito mais vezes 'gosto de ti'.

Tenho passado a última semana a saltitar de hospital em hospital, entre aqueles que frequento como aluna e aqueles que frequento como visita. Um amigo daqueles que vi crescer ao meu lado está internado e, embora não seja nada que não tenha solução, todos os dias me tem custado deixá-lo sozinho à noite. Tenho dito 'gosto de ti' mais vezes. Caraças, tenho dito 'gosto de ti' todos os dias. Porque eu sei que não vai acontecer nada, mas se por acaso acontecesse eu ia saber que ele sabia. E não ia ter de viver com o peso de um 'gosto de ti' que não foi dito.

(E ao que parece eles pesam comó-raio...)

Monday, October 1, 2012

Ei-lo. O último ano de aulas. O tão falado e tão temido quinto ano. Não sei o que aconteceu, mas o tempo passou a correr.

Estamos a ter aulas no mesmo anfiteatro onde estávamos no primeiro e segundo ano. Estamos rodeados de pessoas que não nos são minimamente familiares (o que me relembra que no ano passado não fui à praxe uma única vez), pessoas que olham para nós como se fossemos grandes. Não me sinto grande. Na minha agenda tenho escritas coisas como 'urgência de pediatria', 'partograma', 'marcar banco de ortopedia', 'saber informações da urgência de cirurgia', coisas de adultos, que eu sei que vou adorar (porque adorei no ano passado, porque adoroo que estou a fazer), mas que ainda me dão taquicardia. Tal como o nome 'daquele' Professor, de casa vez que me ocorre que a probabilidade de ter se fazer oral é gigantesca.

E eu quero não pensar nisso tudo, juro que quero. Mas não sei se é do início do ano, se é de ser o último ano com aulas, se é por outra razão qualquer, mas a verdade é que não se ouve falar de outra coisa.


(E agora deixo aqui a minha felicidade por ter conseguido que me imprimissem as desgravadas mesmo como eu queria: em A5 para poder andar com elas para todo o lado. E ainda dizem que eu sou difícil de contentar.)

Monday, September 24, 2012

Faz amanhã cinco semanas que cheguei. O tempo passou a correr, e o amor por esta terra foi crescendo ao mesmo tempo que aumentavam as saudades de casa. Há aqui coisas que não suporto. As únicas três velocidades: devagar, devagarinho e parado (que se traduz no 'leve leve' que este povo tanto diz). A desorganização que leva ao cancelamento de uma cirurgia por não haver compressas quando no dia anterior as deram para alguém secar as mãos. A forma como as crianças gritam na berma da estrada "Dôxi, dôxi, dôxi", por terem sido educadas (?) a acreditar que não importa se não temos nada, alguém nos há-de dar o que não temos. A mão minúscula de um bebé de dez meses com peso de recém-nascido, porque a mãe simplesmente nunca se importou o suficiente para o alimentar. E no entanto, na hora de me começar a despedir, agarro-me a este país como o recém-nascido de dez meses me agarrou o dedo depois de lhe ter feito um carinho. Em cinco semanas aprendi a amar esta terra. Aprendi a amar este povo que não é meu como se fosse. E na hora da despedida tenho um nó na garganta e pesa-me no peito o olhar de cada criança, o sorriso de cada uma das pessoas que eu conheci por cá, as saudades de um lugar que foi a minha casa e que não sei se algum dia vou voltar a ver. Na hora da despedida caem-me pela face as lágrimas que não apareceram em Portugal.


(Faltam menos de 36 horas para estar em casa. Até já.)

Friday, September 21, 2012

A minha melhor amiga faz vinte e três anos hoje e nem faz ideia do quanto me custa não poder estar com ela hoje. Mas porque sei que como este vão haver muitos aniversários dela para celebrarmos juntas, finjo que não tem grande importância e limito-me a lembrá-la que gosto muito dela e que estou mesmo muito contente por ela ter nascido e por nos termos conhecido.

Tenho saudades tuas, caraças!

Wednesday, September 19, 2012

Hoje queria isto. Um café e mimo. Só porque sim.

Monday, September 17, 2012

Preciso rapidamente de ir para Portugal. A minha bitola no que a homens diz respeito está a diminuir a olhos vistos: hoje achei que um taiwanês até era engraçadinho.

(em minha defesa ele media 1,75m, em vez do típico metro e meio e estava de fato de bloco)

Thursday, September 13, 2012

Encontrámo-nos no inverno passado para celebrar o seu aniversário. Juntou-se toda a família, ou quase toda, algo que já não acontecia há algum tempo. Cada um foi como é. O dia de hoje é marcado pelo peso da morte e pela certeza de que esse foi o último dia. Cada um de nós vai ter de viver com as atitudes que tomou, porque já não há uma segunda oportunidade, não desta vez.


E juntamente com o luto paira sobre mim o sentimento de que isto é apenas o início. Que esta é apenas a primeira de muitas que se seguirão, porque a vida é mesmo assim, e a idade não perdoa. E surge-me uma vontade incontrolável de dizer aos meus avós que os amo, porque as pessoas devem ser aproveitadas enquanto cá estão.

Sunday, September 9, 2012

Num período inferior a 10 minutos tiveram lugar cá em casa duas conversas via skype em que uma amiga minha soube que a avó tem um tumor do cólon direito e eu soube que um tio meu teve um enfarte agudo do miocárdio e está nos cuidados intensivos.

Acho que vamos deixar de ligar para casa.

Thursday, September 6, 2012

É incrível como aquilo que me faz falta são as coisas que não valorizo nada em Portugal. Poder tomar banho sem chinelos. Poder pegar num copo e beber água da torneira. Sair de casa sem repelente de insectos e chegar a casa sem estar picada. Ir ao talho e haver carne boa. Comer e cozinhar algo que não atum/salsichas/cogumelos/todo o tipo de enlatados. Beber bebida sem gelo. Comer gelados. Tomar um café de jeito (irónico, não?).

Gosto tanto do dia-a-dia da minha sociedade civilizada...

Friday, August 31, 2012

Hoje fui picada por um mosquito pela primeira vez desde que estou em São Tomé.


Estava dentro do bloco operatório.

Tuesday, August 28, 2012

Regras básicas para quem vai viajar para um país africano:
1- Não comer fruta/legumes sem lavar bem
2- Não comer comida da rua
3- Não apanhar boleia
4- Não comer ovos
5- Não comer bolos com natas
6- Não lavar os dentes com água da torneira
7- Não beber água da torneira
8- Pôr repelente pelo menos uma vez por dia

Regras quebradas na primeira semana em São Tomé:
Todas excepto a número 7.

E não, ainda não tive nenhuma diarreia. É o que eu chamo sorte.

Saturday, August 25, 2012

Aqui estou eu a dar sinais de vida e tudo o que posso dizer é: VIVÊ SÃO TOMÉ!

Monday, August 20, 2012


Este é o aspecto de bagagem para 5 semanas de estágio num hospital africano. Nesta mala há um bocado de tudo, desde latas de atum a repelente de insectos e marcadores e cadernos para oferecer por lá. Agora é esperar que o tempo passe e chegue a hora de ir para o aeroporto. Já-está-quase!

Thursday, August 16, 2012

Já falta pouco para me meter no avião e partir numa das maiores 'aventuras' da minha vida: 5 semanas num país africano. Estou completamente em pulgas, e isso tem contribuído significativamente para o agravamento de um problema que já é crónico: falar mais rápido do que o que penso.


Ele: 5 semanas?! Isso é imenso tempo, não sabia que era tanto... Uma embalagem de champô não vai chegar! :b
Eu: O champô? A depilação não dura 5 semanas!
Ele: ...

E assim sou eu, há 22 anos a distribuir imagens mentais fantásticas...

Monday, August 13, 2012

Friday, August 10, 2012

Há um ano apaixonei-me instantânea e inesperadamente por Haia, uma 'pequena' cidade holandesa. Cheguei num dos primeiros comboios da manhã e deambulei pela cidade até à abertura dos museus. Assim que me livrei das obras da estação ferroviária, apareceu-me um sorriso na cara que não me largou o dia todo. Vi muito no pouco tempo que tinha, e ao longo do dia sustive várias vezes a respiração, na tentativa de que o tempo parasse e me deixasse ficar mais um bocadinho. Acho que também foi assim com ele. Apaixonei-me instantânea e inesperadamente por ele e sustive a respiração, na tentativa de que o tempo parasse e o deixasse ficar mais um bocadinho. Mas, tal como em Haia, o tempo não parou. Faz hoje um ano que vi o pôr-do-sol em Haia, perdidamente apaixonada pela cidade e por ele. Hoje às vinte horas e dezoito minutos o sol pôs-se para lá da Ponte Vecchio, em Florença, comigo completamente apaixonada por esta nova cidade. Já não estou perdidamente apaixonada por ele, mas ao ver um pôr-do-sol assim ainda é nele que penso. Faz hoje um ano. Devia mesmo parar de suster a respiração.


Saturday, August 4, 2012

Aqui vou eu, primeiro de quatro voos este Verão. Até já, Itália!

Friday, August 3, 2012

Daqui a pouco vou entregar a uma antiga colega minha do secundário o meu atlas de anatomia, porque ela tem anatomia para fazer em Setembro e esqueceu-se do dela no Porto. E a única coisa que me ocorre quando pego no livro é: 'Nem acredito que já me livrei disto!'


(sim, ainda pego no livro de vez em quando por causa de cirurgia, mas não é de todo a mesma coisa)

Tuesday, July 31, 2012

Se por acaso forem à praia e virem um grupinho jeitoso com dois rapazes quase a chorar e duas raparigas a rir à gargalhada é provável que sejamos nós, que ganhámos mais uma vez uma tarde de sueca por mais de doze pontos.
E se virem uma rapariga com um escaldão nas costas, é provável que seja eu, que naba como sou esqueci-me que a jogar ao mata toda a tarde também se apanha sol.
E se virem um grupo de pessoas já muito alegres do álcool quase de certeza que não somos nós, que nem temos bebido em demasia. A toalha de mesa é que já esteve mais longe de entrar em coma alcoólico.

Tuesday, July 24, 2012

Gosto de fazer listas. A lista dos lugares a visitar em Itália, a lista de compras para a semana de borga, a lista das coisas para levar para São Tomé. É a minha maneira de manter a organização mental quando deixo de ter uma agenda e o tempo organizado ao minuto.

Gosto de planos à última da hora. Um convite para jantar no próprio dia, um cinema combinado em cima do joelho, um comboio que tanto se apanha às 2 como às 3 e meia, porque o tempo é nosso e não somos nós escravos dele.

Gosto de um café com gelo depois de jantar, no pátio de minha casa, com uma das minhas cadelas a pedir festas e outra a pedir gelo. E a vista! A vista que me enche os olhos e me faz pensar que talvez possa ser feliz aqui.

E gosto de ver o trabalho recompensado. Aquela última nota que teima em não sair, e que quando sai nos deixa agradavelmente surpreendidos e que nos lembra que 'apesar de tudo' o ano até correu bem.

É, gosto disto tudo. E gosto de gostar assim, com todas as cores e com tudo o que tenho. Caraças, sabe bem estar de férias!

Sunday, July 22, 2012

Durmo mais uma hora do que o que era suposto, faço a mala à pressa, respiro fundo e fecho a porta de casa. Enquanto rodo a chave (três vezes, mais uma do que no dia-a-dia), recordo o último ano. Mais um que se passou. Passo na feira do livro antes de apanhar o comboio, algo que se tem vindo a tornar tradição, e compro o primeiro livro das minhas férias (desta vez a Autobiografia de Agatha Christie). Despeço-me de Lisboa com um sorriso e um 'até breve', enquanto entro no comboio que, como de costume, 'circula com 4 minutos de atraso'.


Querida casinha, até já!

Saturday, July 21, 2012

Levanto-me cedo para conseguir ter tudo pronto para um óptimo ultimo dia em Lisboa. Estou finalmente de férias, e o peso enorme que tinha nos ombros desapareceu. Este ano não há melhorias, não há 'fingir que estuda' com o cheirinho a férias debaixo do nariz. Começa agora o reboliço de andar para trás e para a frente, quase sem parar e, como diz um amigo meu, 'quase sem mudar a mala'. Este Verão promete, e eu tenciono aproveitá-lo ao máximo.

FÉRIAS!

Tuesday, July 17, 2012

Não percebo bem o fenómeno que faz com que depois de exames eu passe horas ao telefone. E não estou a exagerar. Acabei de estar 40 minutos ao telefone com o rapaz que fez oral antes de mim. Antes disso estive 1 hora e 15 (!!!) ao telefone com um colega meu de medicina. À tarde já tinha estado meia hora ao telefone com a Jo e outro tanto com outra amiga. E é que as conversas nem têm de ser sobre o exame, consegui estar quase 40 minutos a falar sobre testemunhas de jeová e a ter ideias para criara uma nova religião (em que eu sou Deus, como é óbvio).


Se o telemóvel causar cancro eu estou lixada.

Monday, July 16, 2012

A vontade de estudar, que já não era muita, desapareceu completamente. O dia foi passado a recitar em voz alta o plano nacional de vacinação, os tipos de leite, as 'regras' para a diversificação alimentar, os conselhos para prevenção de acidentes nas diferentes idades e as etapas do desenvolvimento infantil a nível social, motor, e cognitivo-comportamental. Estou farta disto. Quero dormir 12 horas e ficar de papo para o ar na praia, quero estar com os meus amigos, tomar café e gritar barbaridades no meio da rua, onde ninguém nos conhece e beber um bocadinho de mais, o suficiente para achar que é uma óptima ideia ir saltar na cama elástica que está na praia as 3 da manhã, esperar pelo nascer do sol e chegar a casa e fritar rissóis.

Quero férias, preciso de férias, e ainda falta uma oral, um exame escrito e 4 longos dias até ficar livre.

Sunday, July 15, 2012

Hoje um rapaz que foi da minha turma este semestre chamou-me 'fofinha de uma figa' em resposta a um mail que eu enviei a agradecer às pessoas da minha turma por terem tornado o semestre numa coisa um bocadinho menos monstruosa.

Eish, quase que parece que não sou uma pessoa horrível :)

Saturday, July 14, 2012

E o prémio 'Piada Pediátrica mais Parva' vai para...

"Qual é a semelhança entre a mama e um comboio eléctrico de brincar? É que ambos são para a criança mas o pai é que brinca"
Ontem resolvi ir estudar para a faculdade de sandálias. Estava à espera do metro quando me apercebi que era a única pessoa do sexo feminino que não tinha as unhas dos pés pintadas. Quando cheguei à faculdade e olhei à volta percebi que também ali se passava o mesmo fenómeno: todas as outras raparigas tinham as unhas pintadas!

Não é que eu não goste de ver, mas será que ter as unhas dos pés pintadas se tornou um requisito para andar de sandálias e eu não me apercebi? Será que está ao nível de ter a depilação das axilas feita para andar de manga cavada e ninguém me disse nada?

Pelo sim, pelo não hoje vim de sapatos.


(repararam que este é o post mais não-eu de sempre deste blog?)

Thursday, July 12, 2012

E pronto, o monstro do semestre está feito. Não correu muito bem, mas podia ter sido muito pior. Agora ficam a faltar os dois de pediatria. Já cheira a férias. Mais uma semana.

Tuesday, July 10, 2012

Aqui está ela: a segunda noite mais temida deste semestre (sendo que a mais temida é a de amanhã).

Faço amanhã a História Clínica e estou um bocadinho em pânico. Já olhei para o quadro dos internamentos algumas vezes e, embora haja alguns doentes realmente assustadores (imunodeficiências das quais nunca ouvi falar, é de vocês que eu estou a falar, é!) a maioria parecem  razoáveis. Preocupam-me as 300 mil doenças, internamentos, cirurgias e 'episódios iguaizinhos a este' que os doentes possam ter para trás, um exame objectivo nada fácil e a falta de tempo. Preocupa-me mesmo a falta de tempo.

Mas pronto. Andei um semestre a treinar para isto (ou não), há-de correr bem.

Monday, July 9, 2012

Tenho uma amiga que faz bonecos. Tirou o curso de bonecos* e agora faz bonecos. (E bonecos bem giros por sinal) Já não falo com ela há uns tempos, mas imagino que a vida dela seja brutal: conhece um montão de pessoas fixes que também fazem bonecos, está com uns miúdos que estão envolvidos nisso também e depois desenha e anima os bonecos.



Estou tão farta de estudar que ando a pensar em profissões alternativas que podia ter escolhido. Gostava de ter jeito para coisas como desenhar bonecos e ter ido para fora para o fazer. Acho que conseguia ser feliz assim.


*O nome não é 'bonecos', como é óbvio... Deve ser animação ou assim uma coisa.
Note to self:

Da próxima vez que tiveres de marcar uma oral, lembra-te de não a deixar para o final da segunda semana.

Sunday, July 8, 2012

O exame de medicina I que fiz na passada segunda-feira tinha 120 perguntas de escolha múltipla. Como é que os professores resolveram fazer o cálculo das notas do exames?

A) uma regra de 'três simples' (sabendo que 120 perguntas estão para 200 pontos, x perguntas certas estão para y pontos)

B) arredondar o valor de cada pergunta para 0,1666, fazendo com que 99 perguntas certas equivalham a 16 valores em vez de 17

(Sim, porque a juntar à festa a nota do exame - que ainda vai ser usada para fazer média com a nota da oral - é arredondada às unidades)

Há coisas que só mesmo na minha faculdade.
Há tempos queixava-me num dos blogs que ali estão ao lado (o Amendoins e Coca-cola) que nunca me lembrava dos meus sonhos. Pois bem, hoje lembro-me.

Sonhei que estava na oral de Pneumo e o Professor me perguntava a que horas é que eu tinha ido colher a história, porque o doente tinha enfartado numa hora em que supostamente eu lá estava e eu não tinha escrito nada disso na história. Não faço ideia se eu sabia ou não que o doente tinha tido um enfarte, só sei que quando dei conta tinha oProfessor aos berros a arrancar-me as folhas da mão, tal e qual como a Jo descreve ali no blog dela. E como se não bastasse, o Professor resolveu olhar para a nota da avaliação contínua (que na realidade não vale nada - o meu eu dos sonhos é mesmo ingénuo) e a dizer que se alguém que não diagnosticava um enfarte tinha aquela nota era porque a nota tinha de ter sido comprada, e que me ia levar ao Pedagógico e que eu ia ser expulsa.

Definitivamente eu devo ter algum problema mental.


(e caso estejam na dúvida, não, a minha nota não foi comprada. Até porque, convenhamos, a nota da prática nem sequer entra para o cálculo da nota final)


Friday, July 6, 2012

Acordei antes do despertador tocar, com a luz do sol a entrar pela janela. Sem saber porquê lembrei-me dele, ao meu lado no carro depois de um passeio em Belém, com o sol a fazer-nos esquecer do frio que fazia lá fora. Umas obras quaisquer fizeram-no enganar-se na estrada e quando se apercebeu perguntou: 'A que horas disseste que era o teu comboio?'. Tínhamos tempo; já por saber que com ele o tempo voava tinha dito que o comboio partia meia hora antes do que partia na realidade. Começou a dar uma música qualquer na rádio e ele sorriu. Encostei a cabeça ao seu ombro. 'Sabes aquela sensação de conforto de acordar a um domingo de manhã com o sol a dar-te na cara, lá fora estar um frio do caraças e ficar na cama a engonhar? É assim que me sinto.'

Hoje acordei com o sol entrar pela janela e durante meio milésimo de segundo lembrei-me dele. Tenho saudades daquela sensação de conforto.

Thursday, July 5, 2012

Sabem quando na praia vemos uma gaivota a tentar voar contra o vento e ela até se aguenta algum tempo mas acaba por ser levada na direcção contrária? É assim que eu me sinto.

Tuesday, July 3, 2012

Sei que estou a ficar velha

Quando sou eu a bater com o marcador na mesa para ver se as pessoas fazem menos barulho.


(como me irritava, quando faziam isso comigo!)


(em minha defesa: foi só uma vez, e eles estavam mesmo como se estivessem num café!)

Saturday, June 30, 2012

Dói-me a cabeça. Tenho bastantes coisas para rever, um molho enorme de exames antigos para fazer e esta dor de cabeça não resolve...

Finalmente decidi ir para a cama, mas não consigo dormir... Isto promete ...

Friday, June 29, 2012


Tenho o cuidado de partilhar o que tenho com toda a gente. Chegam-me às mãos uns apontamentos fixes? Encaminho-os para o meu grupo alargado de amigos. Encontro sites bons? Encaminho. O professor dá umas dicas porreiras para o exame/oral? Falo com toda a gente. Acho que é razoável. Nao ganho nada em guardar as coisas para mim.

Agora, quando me dou ao trabalho de digitalizar resumos feitos por mim espero receber um 'obrigada' em troca. E quando perco tempo a dizer quais as respostas certas de exames antigos porque mo pediram, o mínimo que peço é que se receberem algo de novo se lembrem de mim.

É uma questão de boa educação e respeito, só isso.
Não me lembro da última vez que estive na estação de comboio à espera do comboio para Lisboa sem vontade nenhuma de ir. A semana em casa soube-me bem e foi produtiva, e o regresso à confusão e à inexistência de sítios perfeitos para estudar está a deixar-me de mau humor. Isso e saber que ainda tenho quase 15 dias com os livros de Pneumo à frente.

Adia-se a felicidade até ao dia 21. Depois logo se vê.

Friday, June 22, 2012

Consigo imaginar-me a viver aqui daqui a uns anos. Tenho um hospital a dez minutos de carro, é uma cidade relativamente calma, não muito grande mas com tudo o que é necessário no dia-a-dia.

Para além disso tenho a praia à porta de casa,



esta vista do outro lado,



e isto ali mesmo ao lado.



Tenho uma das melhores sopas de peixe que já comi ali pertinho



e uma tripa de doce de ovos à minha espera sempre que quiser.


E estou perto de casa e em duas horas ponho-me em Lisboa. Perfeito, não? ;)

Thursday, June 21, 2012

O dia está a ser passado em calcas de fato-de-treino, com um termos com café ao lado. Ontem não senti nenhum efeito secundário das vacinas para além da inflamação local e uma febrícula ( já referi que agora tenho um boletim INTERNACIONAL de vacinação?), mas hoje estou um pouco sonolenta. Será das vacinas ou será só preguiça?

Com sono ou não, sabe bem ter o 'estaminé' montado noutro local, bem mais pertinho de casa. E se o estudo correr bem ao fim do dia ainda dou um saltinho à praia. Roam-se de inveja :)




Tuesday, June 19, 2012

Eu vou, eu vou, p'ra casa agora* eu vou!

Um dos meus maiores problemas desde que estudo em Lisboa é a quantidade de bagagem que levo para cima de cada vez que vou a casa. Quando o tempo passado em casa inclui épocas de período intensivo (leia-se férias do Natal, férias da Páscoa e - a estreia deste semestre - semana sem aulas antes dos exames) é o descalabro total, e passo o tempo todo que estou em casa a ouvir o meu pai falar da quantidade de coisas que levei e que não vou usar. Por isso desta vez perdi algum tempo a seleccionar as coisas que vão e as que ficam.




Em cima as coisas de Medicina que ficam por Lisboa, em baixo as coisas que vão comigo. Claro que a juntar a isto vai também o ipad que tem o livro grande que ali vêem e parte das coisas dos dossiers. 

E sim, isto é tudo coisas para um só exame. 

(E o que é que vocês têm a ver com isto, estão vocês a perguntar. Eu sei lá, vocês é que aqui vieram, olha!)


*não é bem agora, mas vocês perceberam a ideia.

Veredicto

E lá foi o sorteio que decidiu o que vou estudar nos próximos dias. Faço oral na Pneumologia. Nao é Medicina, mas também nao é Cardio, por isso nao estou assim muito chateada. E quis o destino que a Jo ficasse também em Pneumo, de modo que colhemos e discutimos a história nos mesmos dias. Podia ser pior, muito pior. Por isso agora é estudar e depois logo se vê. É bom que nos próximos dias comece a ganhar gosto pelas patologias pulmonares, porque vou ter a sua companhia durante MUITO tempo!


E agora, de volta ao estudo!

Monday, June 18, 2012

É JÁ AMANHÃ!

Comecem a rezar às entidades divinas em que acreditam; se não acreditam em nenhuma entidade divina, por favor comecem a louvar o grande deus das probabilidades. O sorteio para a oral do 4º ano é amanhã. Há 50% de hipóteses de ficar em Medicina Interna. Era o sonho. (Do mau é o menos mau) 25% de probabilidade de ficar em Cardiologia e 25% de ficar em Pneumologia. É 50% de probabilidade de ficar no que quero e 50% de probabilidade de ficar que NÃO quero.

Senhor deus das probabilidades, vê lá se estás do meu lado amanhã, sim?
(Acho que se ficar em cardio me dá um fanico)

Sunday, June 17, 2012

Não sei ao certo quando começou o hábito de fazermos/corrigirmos os testes e exames de anos anteriores por telefone, mas já o fizemos umas quantas vezes. No dia que antecede o exame é ver-me com as folhas espalhadas por todo o lado, desgravadas, livros e computador em cima da mesa a dizer "É a A! Não, é a C! Espera lá que vou ver se encontro isso, eu sei que li isso algures!". É uma das coisas que faz com que tudo isto seja mais fácil, é termos alguém que percebe exactamente o que digo quando, em desespero, sai da minha boca um: "ESTOU FARTA DE LEUCEMIAS, ISTO É TUDO A MESMA TRAMPA!" (Não, não é trampa que eu digo.)


E agora vou voltar ao estudo.

Friday, June 15, 2012

Hoje apercebi-me que talvez nunca tenha sido tão feliz como era há seis meses. Por momentos arrependi-me das decisões que tomei, e achei que talvez tenha desistido com demasiada facilidade. Depois pensei que estava a ser estúpida e voltei a enfiar a cabeça nos livros.

Ando cansada. Acho que é só isso.

Thursday, June 14, 2012

Às vezes ainda me vem à cabeça a imagem dela. O cabelo curto a contrastar com o sorriso que não deixei de ver, mesmo até ao fim. Faz hoje seis anos.

Wednesday, June 13, 2012

Das coisas que me irritam

Irrita-me quando me perguntam com o tom mais indignado do mundo: 'NÃO VAIS VER O JOGO DA SELECÇÃO?!'. Nao, nao vou ver o jogo da selecção. Crucifiquem-me, vá. A única coisa que vos pergunto é quantos de vós vão ver os jogos olimpicos de natação ou de qualquer outra modalidade. Estou farta de futebol, estou farta de ser criticada por não me apetecer ver futebol e, honestamente, chateia-me um bocadinho que o país pare por causa de um jogo.


Claro que quero que Portugal ganhe o jogo, mas isso nao me vai fazer mais feliz nem nada do género. Há coisas mais importantes, só isso.

Tuesday, June 12, 2012

A minha associação de estudantes é épica.



Avisos à entrada de uma sala de estudo num hospital perto de si.



(E sim, eu dei conta que diz 'Proibido a entrada a animais.' em vez de proibida. que picuinhas que vocês me sairam)

Monday, June 11, 2012

Tenho uma cratera na hemi-face direita. Não, a sério, tenho mesmo. Como é que isto aconteceu? Deixei de roer as unhas. Deixei de roer as unhas porque 'ah e tal, olha lá o mau aspecto que isso dá, vais fazer exame objectivo aos doentes e tens as unhas essa lástimas e mimimi', e agora TENHO UMA CRATERA NA HEMI-FACE DIREITA! Porque aparentemente eu enquanto durmo mexo nas minhas (amostras de) borbulhas. E se sem unhas não tem problema nenhum, com unhas FORMA-SE UMA CRATERA! Se eu não fosse tão preguiçosa tirava uma fotografia. Mas sou.


E agora vou-me embora, que tenho de ir apresentar o meu trabalho de pediatria. Trabalho esse que tem slides assim:




E não, não estou a brincar. Esse é mesmo o aspecto dos slides número 3 e 15 do MEU trabalho de Pediatria. Não, não é um trabalho de grupo. E sim, de certeza que alguém me apontou uma arma à cabeça para eu fazer um trabalho em tons de ROSA E COM BONEQUINHOS!


Algo se passa com a minha sanidade mental.

Saturday, June 9, 2012

Técnicas que usei hoje para procrastinar:

- imprimir uns resumos que só usar no final da próxima semana (com alguma sorte)
- fazer lista de compras do supermercado
- pintar as unhas dos pés de vermelho
- fazer manteiga de amêndoa (sem saber bem com o que é que a vou usar...)
- ver um episódio de Hart of Dixie (e decidir que só vejo o próximo nas férias, porque me parece que a tipa vai acabar por nao ser cirurgiã)
- actualizar o resultado do jogo de Portugal a cada 5 minutos
- ver os artigos recentes o medscape
- telefonar à Jo a dizer que sou fantástica a procrastinar, e passarmos largos minutos a comparar técnicas de procrastinação
- escrever este post


Sou ou não sou a melhor procrastinadora de sempre?

A máquina, a maratona e o médico no meio - por Manuel Barbosa


Eu sei que é grande, mas vale a pena


"Na linha do chorrilho de asneiradas que temos lido sobre o presente e o futuro próximo da carreira médica, da acção médica e do sistema de saúde português, quero usar o pouco espaço que tenho direito na internet para fazer circular alguma coisa escrita que espero ser clara e tão fundamentada quanto possível. Não será curta, lamento, podem desistir a qualquer altura...mas espero que não o façam.

Como ponto prévio, apelo a que partilhemos isto o mais possível de um mural para outro. A razão: os alvos das notícias e propaganda enganosa sobre a nossa profissão não somos nós, uma vez que sabemos analisar o que se passa, mas sim a opinião pública em geral que está progressivamente a ser afastada dos nossos pontos de vista e a ser levada por propaganda enganosa que circula livre, mas orquestradamente, na internet (vide blogue lastimável do também lastimável site do Expresso que não faz qualquer referência a orientação editorial dos seus blogues nem critérios de escolha dos mesmo).

Mas vamos por pontos:

1.As críticas da classe médica à prescrição por príncipio activo.
A opinião geral é conhecida de todos: "os médicos estão contra esta forma de prescrição porque assim se acaba a "mama" das prendinhas da informação médica!". Contrariar esta crença é muito díficil e não o vou tentar fazer. No entanto, vou reforçar que esta perspectiva é benéfica para o cenário geral que pretende diminuir ainda mais perante a opinião pública  a postura da classe médica. As pessoas querem acreditar que passar a responsabilidade da escolha do medicamento para o farmacêutico as levará sempre a que escolham o medicamento mais barato e de mesmo efeito. Não há engano maior, e o tempo o dirá: vai chegar o dia em que as pessoas se queixam que na farmácia "não havia outra vez o genérico", e que "já me trocaram o medicamento outra vez", e ainda "a minha mãe toma estes 4 doutor" e eles são todos iguais, todos genéricos, de marcas diferentes, que certamente fazem genéricos por caridade e nunca por visar o lucro, valha-nos deus...! Quem ganha com isto é a Associação Nacional de Farmácias, que vai ter capacidade total de lidar com os seus stocks, contratos, compras e vendas como se de um Pingo Doce da saúde se tratasse. Mas este cenário é impossível de contrariar: O estado deve milhões de euros à ANF e esta é uma forma de compensação e de assim acabar com as ameaças de fim de fornecimento a hospitais ou da suspensão de comparticipações como a que houve este ano na Madeira... Será um casamento feliz e de elogios mútuos daqui para a frente. Veremos de que forma os doentes, hoje ilustres convidados da cerimónia, reagirão amanhã quando perceberem que afinal não há mares de rosas.

2. A questão das vagas de entrada, a qualidade de ensino e as vagas de internato.
É importante que a mensagem passe rapidamente e que os jovens estudantes do secundário ( e os seus pais e amigos) não pensem que queremos diminuir as vagas para "aumentar o nosso tacho". Primeiro, porque futuramente nem sequer haverá tacho (lá iremos). Segundo, porque é legítimo que, depois de ver a realidade interna numa faculdade de Medicina, queiramos que haja um rácio de alunos por tutor muito menor ( 8 alunos/ 1 médico/ doente sofre 9 exames objectivos em 1 enfermaria com 4 camas = problemasa de logística, conforto e respeito pela privacidade inquestionáveis). Terceiro, e mais importante, o facto de que não faz sentido entrarem 2200 pessoas por ano se no final a capacidade de continuar a formá-los não vai exceder os 1700...

3.A questão do internato médico limitado e das novas políticas de contratação como trabalho temporário.
Esta é uma realidade deprimente contra a qual devemos lutar activamente. Porque faz parte de um plano a longo prazo bem montado e delineado que é o de criar um Sistema Nacional de Saúde completamente renovado, que passará em grande percentagem por privados, parcerias intermináveis e comissões astronómicas para com empresas de trabalho temporário que há hoje estão no mercado com gastos escandalosos.

Concretizando: Entram 2200 estudantes de medicina por ano, patrocinados pelo estado, que paga às Faculdades para os formar. No final dos 6 anos, no entanto, já não os quer no sistema público e descarta as centenas de milhares de euros gastos na sua formação. Absorve 1700, para já, e a esses permite continuar a especialização nas diferentes e clássicas àreas. Aos 500 que sobram (mais os que anualmente vêm das formações no estrangeiro), deixa-os no limbo da formação: não são estudantes, porque já acabaram. Não são médicos, porque não tem especialização. Não têm as competências técnicas e operacionais necessárias para efectuar, da melhor e mais segura forma, uma acção médica com o mínimo de riscos pelo doente.
Então qual é a justificação para isto? Muitos dirão: "as pessoas antes iam para Medicina para terem emprego, mas agora são iguais aos outros, é a vida". Certo, é a vida. Mas relembro: não estão desempregados, simplesmente não se podem sequer empregar porque não têm formação para isso.

Haverá solução para isto? Há. Mas é vil, é suja, é desonesta e é perigosa. É que está implícita nesta nova lei sobre o concurso público de contratação de médicos e que pode ser consultada no DR de 14/5/2012,II Série, nº 1921/2012. Uma lei que prevê a contratação de médicos a prestadores privados de trabalho temporário, em que o médico deverá trabalhar a recibos verdes, com o critério principal de que será contratado o mais barato por hora, médico esse que fará exactamente o que lhe for requerido, desde a urgência geral à urgência de pediatria, às consultas de MGF e seguimento em internamentos. Que especialidade terá este médico? Deverá certamente ser um supra sumo da medicina...mas não, a verdade é que a lei não faz menção a especialistas. Daí que eu me pergunte: estará a ser criada, anualmente, uma legião destes médicos para trabalhar à peça, sem qualidade de vida, sem residência fixa, sem contrato, sujeitos à lei do desespero económico? Se a cada ano ficarem 500 médicos fora do internato, a cada ano que passa haverá mais 500.1000, 1500, 2000 médicos em 4 anos. Todo um ano nacional de curso sem especialização...

O mercado de trabalho temporário será o paraíso dos agiotas e dos desonestos, das empresas de sub-contratações que ganham à comissão à custa do trabalho alheio. Se isso hoje já é uma realidade ( http://www.publico.pt/Sociedade/ministerio-da-saude-contrata-25-milhoes-de-horas-a-tarefeiros-1548426 ), com a contratação principalmente de clínicos estrangeiros, no futuro será feito à nossa custa. É uma vergonha que o Estado Português prefira fazes estes contratos miseráveis em vez de negociar com a classe médica o pagamento sério de horas extraordinárias e de fazer concessões sobre a possibilidade de deslocar um novo e capacitado médico para que este viva com qualidade na periferia ou no interior. E não só os médicos sofrerão deste sistema, numa altura em que se notícia que há enfermeiros a trabalhar por 3,5 euros à hora, o que por mês chega a ser inferior ao salário mínimo.

Pergunto-me como é que é possível que o Estado preferira contratar milhões de horas a um médico tarefeiro para que este faça consultas de MGF durante 3 meses e que depois nunca mais volte àquela terrinha? Onde é que fica o seguimento dos doentes? Onde é que está a qualidade deste acto médico? Será que alguém acredita realmente que "aviar" 5 doentes por hora é o principal objectivo de um acto médico? A produtividade e a qualidade nem sempre andam de mãos dadas. E revolto-me: Como é que se justifica por parte do Estado o pagamento dessas horas a um intermediário (a empresa, e esta que pague o que quiser ao médico) em vez de contratar directamente e acarinhar os profissionais que tanto se esforçou por formar? A menos que esse intermediário faça parte da máquina onde circula o dinheiro português que não chega ao país real e que faz com que Portugal seja considerado um dos países mais corruptos da europa. ( http://www.transparency.org/news/pressrelease/20111201_cpi_pr )

4.previsões, lamentos e apelos
Não é novidade que o  Sistema Nacional de Saúde está a mudar. Fecham-se urgências, fecham-se hospitais, fecham-se maternidades, extinguem-se internamentos. Alguns, certamente necessários e justificados. Tal como as novas políticas de transporte de doentes que acabaram com muito dos abusos de pessoas que não precisam desse transporte.
No entanto, temo que muito destas mudanças sejam escondidas atrás desse grande arbusto que é "a crise", um arbusto que permite justificar todos os cortes de pessoal e material que existem hoje em dia. Num futuro próximo, parece-me inevitável que a percentagem de grupos privados envolvidos directamente na gestão de hospitais que eram anteriormente do estado será muito maior. O estado livra-se do "peso" da saúde e passa o testemunho aos reis Midas do negócio que fazem com que o sistema público dê lucro quando, a única coisa certa que deveria dar, seria despesa. Idealmente menor despesa, sim, mas nunca lucro. Além desse peso, o estado livra-se dos médicos e dos enfermeiros que não quer continuar a formar. Os hospitais privados, naturalmente, terão contratos vantajosos com as empresas de trabalho temporário. E contratarão mão de obra qualificada a preço de saldo. Mão de obra que podem deslocar de Lisboa para o Minho com 30 dias de aviso. Mão de obra que podem substituir, a qualquer hora, por outra mais barata, de igual qualidade.

Lamento pelo doente. Pelas pessoas que não têm obrigação de estar atentas a tudo isto, a esta máquina enorme, que não se apercebem do que vai acontecendo aos poucos. Lamento que daqui a uns anos tenham que fazer um seguro de saúde todos os anos porque têm medo de ir a Urgência e deixar lá 50 euros. Lamento que um dia vão à farmácia e que lhes encham o saco de medicamentos com que não se dão bem, mas não há nada a fazer porque mesmo dizendo ao seu médico, este não tem poder de mudar a prescrição. Lamento pelos que vão chegar ao seu centro de saúde e vão ficar frustrados por aquele médico simpático que os seguiu o ano passado agora estar noutro sítio qualquer.

E lamento por nós, estudantes de Medicina, que ainda nem acabamos o curso e já sentimos que vamos em direcção a uma carreira incerta, em que apostámos tanto. Seja por vocação, seja por gosto, seja por capacidade técnica e a promessa de um futuro melhor, aliado a elas...todas são legítimas. Lamento ter deixado para trás tantos momentos em família, por estar deslocado. Penso nas férias de Natal e as passagens de ano a estudar, nos meses de Junho e Julho enfiado numa biblioteca das 9 do dia às 3 da manhã. Lamento que não nos seja dado o respeito pelo trabalho e pela entrega, porque o merecemos. Como o merecem os médicos já formados a ganhar misérias nas urgências (8,9, 10 euros à hora. Não são 30 como muitos querem fazer acreditar!). Lamento que haja tanto ódio em relação à classe médica na opinião pública, que nos pintem como um grande e ganancioso monstro que esfrega as mãos face à doença alheia (certo que haverá alguns assim, que profissão não os tem? ) e que quando aos 18 anos escolhe ser médico já pense apenas em cifrões, cifrões, cifrões...

Mas lamentar não me vale de nada, por isso fica por aqui. O que quero fazer é apelar os meus colegas, aos mais velhos e aos mais novos especialmente. A que nunca baixem a cabeça. A que nunca se deixem levar pelo rebanho. Peço que nunca se minorizem, nunca achem que o esforço foi em vão, nunca deixem que alguém vos diga que são descartáveis, substituíveis! Não somos substituíveis, não somos mais um! E isso não faz de nós prepotentes. Viemos para isto porque acreditamos que podemos levar com esta responsabilidade nos ombros, é uma realidade. E isso é algo que nem todos querem. Nós queremos. Mas queremos fazê-lo com as condições justas e com a capacidade de respeitar a vida do doente e a nossa. Exorto-vos a nunca desistir da luta, a arriscar o pescoço, a arriscar manchar o nome, a sair à rua e a dizer "NÃO! Recuso-me a trabalhar por 5 euros à hora! Eu valho mais!". Quando começarmos a aceitar trabalhar a preço de saldo, estamos a dar o primeiro passo para o abismo dos estágios não remunerados "para ganhar experiência". Nunca. Nunca poderemos deixar isso acontecer.

Não estamos a pedir o mundo. Não estamos a pedir carros com motoristas, não estamos a pedir prémios, não estamos a exigir salários de administradores de empresas públicas. Não queremos estar no olimpo das profissões, só queremos estar no nosso lugar. E vamos lutar com unhas e dentes e palavras para que não nos tirem de lá. Lutámos muito para lá chegar e sabemos que para fazer o trabalho que se nos exige, com a qualidade que os nossos mestres nos passaram, precisamos de manter inabaladas não só as condições de trabalho mas também a dignidade que exigimos para nós próprios. Começa agora colegas, uma longa luta por um futuro digno, ajustado à nossa responsabilidade e à nossa carreira. Vão ser muitos os obstáculos que vamos encontrar mas é essencial que nos mantenhamos unidos nesta longa maratona.

Bom trabalho a todos!

Manuel Martins Barbosa,
aluno do 5º ano da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa"

Friday, June 8, 2012

Recuperas do fundo do baú o sorriso de plástico que tinhas guardado há anos.
Assenta-te que nem uma luva.
 29.10.09

Thursday, June 7, 2012

Sotaques e vícios linguísticos

Quando por alguma razão surge em conversa que sou de Viseu, a resposta é sempre a mesma: 'A SÉRIO? Mas não tens sotaque nenhum!'. A partir desse momento começam-se a aperceber que digo 'coêlho', joêlho', 'vermêlho', 'maior' e 'além' e começa o gozo. (Mas não, não falo axim.) E já lá vão quatro anos desta conversa e ainda não mudei a forma como digo essas coisas. E não tenciono fazê-lo. Mas ganhei alguns vícios linguísticos. Como o 'querida', sem nenhum sentido queque, e o 'yope', que também ganhei por cá. Isto tudo para dizer que descobri que há uma palavra que já não consigo dizer. 'Pequenino'. Não sei porquê, mas não consigo. Ou digo pequeno, ou digo 'pucanino', com voz de quem está a falar para um miúdo de 3 meses. Onde fui buscar este vício? Não sei. Mas hei-de descobrir.

Tuesday, June 5, 2012

Quanto tempo é que demora a fazer gelo?



Estava-me mesmo a apetecer uma coisinha destas da imagem (sem natas, vá...). Pensei três vezes se valia o esforço de me vestir outra vez, apanhar o metro, fazer 20 minutos de viagem, comprar o dito cujo e vir para casa. Cheguei à conclusão que não, e resolvi procurar a receita. Encontrei a receita. Tiro o café para ir arrefecendo, abro a gaveta do congelador e... não tenho gelo.


Ora bolas!...


Monday, June 4, 2012

Coisas que eu nunca pensei vir a presenciar

1- O comentário: O Prof. X este ano não vai fazer orais
Sendo que o Prof. X é o regente da cadeira de Pneumologia e eu não vou muito com a cara dele.

2- O comentário: A Prof. Y este ano não vai fazer orais
Sendo que a Prof. Y é só a professora mais temida de sempre da cadeira de Cardiologia.

3- Índios a dançar numa cerimónia formal.
Okay, não presenciei, presenciei, mas vi em directo. Isso conta, certo?

Aqui fica uma foto a comprovar:



Saturday, June 2, 2012

Hoje apetecia-me ir beber qualquer coisa a um bar qualquer com música de jeito, mas nao tenho assim ninguém com quem ir e tenho de estudar. Caca de vida, hein?

Friday, June 1, 2012

Era bom quando a vida era simples. Quando as maiores preocupações do dia eram escolher o que ia vestir de manhã e o que fazer desta vez para conseguir ficar com um iogurte de morango ao lanche. Quando pedia à minha mãe sandes de ovo mexido para mim e para a minha irmã e íamos passar a tarde nas traseiras do meu bairro com as nossas vizinhas (e sentíamo-nos tão grandes!). Chegava a casa com as calças sujas de terra, fruto das brincadeiras e das 'lutas' com os outros. Brinquei muito na rua. Joguei à macaca, ao pisa-pé, futebol sem bola e ao macaquinho do chinês. Aos sábados jantávamos com os amigos da família e comíamos à pressa para jogarmos à apanhada e às escondidas. E aos domingos íamos a casa dos meus avós (uma viagem horrosa de uma hora e meia, cheia de curvas e contracurvas que invariavelmente me faziam vomitar o pequeno-almoço - e que agora se faz em 35 minutos)e deslizávamos pelo corrimão e descíamos de rabo nas escadas. Depois do almoço (que incluía sempre um gelado que íamos buscar à arca que estava na cave), íamos à 'Flor do Adro' com os meus pais, a minha tia (o meu tio ainda nao fazia parte da família) e uns amigos da minha mãe, e a minha mãe deixava-me beber um 'pingo clarinho' ao qual eu acrescentava mais açúcar do que aquele que devia (como vêem o habito do café pingado já nao é de agora!). Quando nos fartávamos do infantário eu e a minha irmã fingíamo-nos doentes e, de vez em quando, a minha mãe (fingia que) acreditava. E aí ficavamos em casa e víamos bonecos e brincávamos às barbies e às polly-pockets.

Fui uma criança feliz, e tudo o que posso desejar a todas as crianças que ainda o são é que tenham uma infância tão cheia de sorrisos e mimos como eu tive. Feliz dia da criança.

Thursday, May 31, 2012

Hoje foi assim



Fomos quase mil, o que é bastante bom, tendo em conta que algumas das faculdades estão em época de frequências e testes. Correu bastante bem. Acho que conseguimos fazer passar a mensagem (embora só tenha lido a notícia do Público). Espero que isto dê em alguma coisa. Quero mesmo que isto dê em alguma coisa.

Wednesday, May 30, 2012

Um dia disseste-me que a ida para fora tinha sido um acidente de percurso, que pura e simplesmente tinha acontecido. Que estavas mortinho por vir embora, que estava a ser giro, e tal, mas que já chegava. Isto tudo foi há quase meio ano.  Os teus colegas de casa já têm planos concretos para voltar, e tu aí continuas. E ainda bem. Acho que estás feliz. Acho que arranjaste alguém que fica melhor ao teu lado do que eu ficaria, alguém com quem as coisas não são demasiado complicadas, e com quem os dias se vão passando, um de cada vez, e sem grandes planos. A tua costela alentejana faz-te levar a vida assim, com muito calma, e a tua costela brasileira faz-te querer aproveitá-la ao máximo. Uma combinação peculiar e engraçada, mas com a qual eu talvez não tivesse sabido viver.

Um dia, daqui a uns meses, talvez, quero ver se não me esqueço de saber de ti. De saber se ela te fez crescer e começar a pensar no futuro. É bom ver as pessoas à nossa volta a crescer, não é?

Tuesday, May 29, 2012

Hoje, se pudesse, dizia-te que há dias que são uma merda, que há dias em que sinto que abdico de muito por muito pouco, que há dias em que me canso disto tudo. E hoje, se tu pudesses, dir-me-ias que sim, que há dias que são mesmo uma merda e que é mesmo assim, e que nao estou a abdicar de tanto como penso e que estou cansada mas já nao conseguia viver sem tudo isto. E hoje, se eu pudesse, responder-te-ia que eu no fundo, no fundo sei isso tudo, mas que há dias em que só me apetece mandar tudo para o caralho e esconder a cabeça debaixo da almofada.

Monday, May 28, 2012

O tipo sentado na mesa ao lado da minha está a fazer-me inveja com o seu pires de tremoços e o seu fino.

E eu nem sequer sou grande fã nem de uma coisa nem da outra.


(ninguém me quer trazer um ginger ale e uns amendoins?)

Sunday, May 27, 2012



Acho que encontrei um bom lugar para estudar. Posso levar café de casa, tem sombra, tem ar livre e desde que tenha os auscultadores postos é calminho. E tem vista para o rio. O problema é o horário: nao abre muito cedo e lá para as 8 horas deixa de ter luz. Oh well, nao se pode ter tudo.


Ps: gente não médica/ nao estudante de medicina, ide ali ao espacinho da Jo para dar a vossa opinião.

Saturday, May 26, 2012

Um dia quero viver sozinha e ter um cão velhinho chamado Bloomberg ou uma gatinha amarela chamada Icterícia. Bem, já que estou numa de sonhar bem que posso querer os dois! E vou ter um apartamento pequenino, com um quarto e uma sala-cozinha onde vou fazer o jantar para dois ou três amigos e onde nos vamos rir de todas as palermeiras que formos fazendo ao longo da vida. E como vou viver numa cidade pequenina vou ter jarros com flores compradas a caminho de casa, iogurtes caseiros* e fruta fresca. E a minha casa vai estar uma confusão na maioria dos dias, com livros e artigos espalhados por todo o lado, que eu vou arrumar à pressa quando alguém estiver a chegar.

É por isso que eu nao percebo aqueles (mais aquelas, na realidade) que contam passar de viver em casa dos pais para viver com o marido/mulher. Porque nao percebo como é possível nao imaginar o que vai ser viver sozinho. Porque acho que se cresce tanto em meia dúzia de meses sozinho (eu pelo menos cresci!)...

Ou então eu é que sou muito estranha.

*okay, eu agora vivo numa cidade grande e faço iogurtes em casa, mas eu acho que perceberam a ideia.

Thursday, May 24, 2012

Sei que um dia vou ser uma mãe-galinha quando são nove e meia da noite e eu estou há uma hora e meia sem conseguir fazer nada porque a minha irmã ainda não chegou a casa, não me avisou que ia chegar tarde e tem o telemóvel desligado.


E também sei que alguém vai levar nas orelhas quando chegar e eu vir que está tudo bem.

Wednesday, May 23, 2012

Tenho saudades do futuro que sonhei e nunca cheguei a viver.
Inês Maria, a inveja mata.



matar, matar, se calhar não mata. mas mói.

Tuesday, May 22, 2012

Um dos meus grandes defeitos é que às vezes falo sem pensar (muito) e pareço um bocadinho bruta. Sei-o e admito-o. Então se forem mesmo meus amigos e estiverem a fazer alguma coisa que eu ache que é uma asneirada de todo o tamanho, preparem-se para serem acordados às dez e meia da manhã de domingo e terem o meu sermão a substituir o do padre. Já não é defeito, é feitio. Isso e corrigir o modo como as pessoas falam e prestar atenção a pormenores irrelevantes para as histórias que estão a contar. E pronto, acho que é basicamente isso que eu tinha para dizer hoje.

Monday, May 21, 2012

Das coisas que me chateiam a sério

Chateiam-me as greves dos transportes. Aliás, arrisco dizer que é das coisas que mais me chateia neste momento. Porque é a segunda greve no período de uma semana, e não importa se há greve ou não, eu tenho de estar na faculdade às 8 horas, e não moro propriamente ali ao lado. Chateia-me porque eu pago o mesmo passe quer haja greve quer não, e não nado em dinheiro, e a brincar a brincar são pelo menos 7 euros de táxi de cada vez que resolvem fazer greve. E também me chateia porque acho que eles já fizeram greves suficientes, e honestamente já nem sei porque raio é que eles estão a fazer greve e a chatear a vida àqueles que querem trabalhar. Por isso parem lá com esta brincadeirinha das greves que isto já irrita.

Ainda só são 11:15

E já tenho uma serie de boas notícias:

- as casas-de-banho da AE já têm tranca;
- já só tenho de ir às teóricas desta semana;
- as perguntas de hematologia e dermatologia do exame teórico são iguais todos os anos;
- o senhor do café do metro já sabe que eu quero um 'café pingado para levar' mesmo sem eu pedir.

Sim, eu fico feliz com pouco.

Sunday, May 20, 2012

Hoje se pudesse perdia-me por aqui, entrava em cada uma dessas fotografias e limitava-me a existir.

Saturday, May 19, 2012

Uma das chatices da época de exames é que nunca me apetece perder muito tempo na cozinha, mas continuo a ter fome e a querer comer bem. No 2º semestre costumo fazer batidos e abusar dos frutos silvestres com iogurte, e queria ver se este ano evitava bolachas e porcarias desse género.




                                                                                                                              Retirado daqui

Hoje quando acordei lembrei-me de quão bom era quando comia danoninhos congelados ao lanche. Como, obviamente, não tenho danoninhos em casa, resolvi experimentar com iogurte de pedaços de pêssego. E deixem-me dizer-vos: já tenho companhia para os serões de estudo.

Friday, May 18, 2012


Plano para quando chegar finalmente* a casa:
- Ver Grey's Anatomy
- Actualizar a minha agenda
- Fazer o plano de estudo para a época de exames que se avizinha
- Decidir para onde vou estudar amanhã

Só espero que a minha irmã tenha sacado a série e esteja com vontade de a ver, caso contrário lá se vão os meus planos...


* tendo em conta que hoje já estive 2 horas em estacões e 4 horas em comboios acho que posso mesmo dizer 'finalmente'.

Wednesday, May 16, 2012

Sentei-me ao computador e tive alguma dificuldade em decidir sobre o que é que ia escrever hoje. O dia não deu um segundo de descanso e podia escrever imenso sobre ele, mas vou-me limitar a dois assuntos (que vêm para o mesmo post mesmo sem estarem relacionados porque eu sou preguiçosa e pronto).

Assunto número 1

Há 7 anos (WOW, 7 ANOS?!), no teste sobre electrões e orbitais e esse tipo de coisas que não se vêem e nem sequer se imaginam, tive 10,3. Nunca mais me esqueci desta nota, e ainda me lembro do momento em que recebi o teste. Estava no anfiteatro de química, no 5º lugar a contar da esquerda, e a professora entregou-me o teste sem sequer olhar para mim. A nota estava rodeada a vermelho e ao lado a professora tinha escrito: "O que se passou?". O meu pensamento foi: Eu nunca vou conseguir entrar em Medicina. Durante bastante tempo não importava o que eu fazia nem quão boas eram as notas dos outros testes, porque depois de pensar 'Vi o meu trabalho recompensado!' pensava sempre 'mas tive 10 a química, e por isso nunca vou conseguir entrar'.
Hoje a minha mãe telefonou-me. Pediu-me que falasse com a minha prima, porque ela tinha tido 11 a física e os pais achavam que ela estava a baixar os braços, e que lhe fazia bem falar comigo. A minha prima sabe muito mais do que o que eu sabia com a idade dela. De tudo. Arrisco até dizer que ela com 16 anos sabe mais da vida do que eu. E no entanto deixa que um 11 a deite abaixo. É engraçado as voltas que a vida dá, não é? Há 7 anos eu achava que não ia conseguir seguir o meu sonho por causa de um 10, e aqui estou eu, a tentar mostrar a uma miúda como eu fui que nada está perdido.



Assunto número 2

Aviso à tripulação: as séries estão a acabar. Na semana passada foi New Girl, estava semana foi House e How I Met Your Mother, e amanhã acaba Grey's Anatomy. Sabem o que isso significa, não sabem? Os exames estão mesmo aí à porta. 

(E eu continuo sem biblioteca de jeito onde estudar)


Tuesday, May 15, 2012

London, baby!


Consta que alguém se inscreveu para um curso de Surgical Skills do Royal College of Surgeons of England e fica um bocadinho histérica de cada vez que pensa nisso. (E ainda faltam uns bons meses para o curso, imaginem lá como vou estar na altura!)

Sunday, May 13, 2012

Como a Jo me deu as respostas para o telemóvel e não estou à espera de mais resposta nenhuma, vou divulgar e justificar as respostas certas:


1- Já tentei fugir de casa. - Verdade.
Quando tinha 5 anos a minha mãe apanhou-me a meio da noite a descer as escadas de minha casa com uma mochila com Barbies. É a verdade, eu com 5 anos tentei fugir de casa e já tinha as minhas prioridades bem definidas, o que era importante era as Barbies. Depois com 11 ou 12 anos tive durante várias semanas uma mochila com bolachas, cereais, 2 ou 3 livros e uma boneca no fundo do meu armário, embora dessa vez não tenha chegado a tentar fugir.



2- Um dia experimentei fumar 'só para o estilo'. - Mentira.
Nunca fumei, nunca experimentei sequer, e não me parece que algum dia o vá fazer. Há quem jure a pés juntos que me viu fumar na semana académica de há dois anos, mas eu garanto que não o fiz, tinha um cigarro na mão porque o roubei a um amigo que me estava a chatear com o fumo (e o cigarro acabou desfeito no chão. Sim, eu sou dessas pessoas)



3- Já quis ser tradutora de livros. - Verdade.
Sempre adorei línguas e sempre adorei livros. Entrei relativamente cedo para o inglês, e também comecei muito cedo a interessar-me pela leitura, por isso no 6o ou 7o ano já lia livros em inglês (nada de muito extraordinário, mas livros do tipo 'O diário da princesa' e coisas assim). Mais ou menos nessa altura comecei a achar que ia gostar de traduzir livros, de tornar acessíveis às pessoas livros que ainda não estavam disponíveis em português. Claro que essa ideia depois perdeu importância, mas a verdade é que no 11o ano inscrevi-me no exame nacional de inglês, para ir para tradução se não entrasse em medicina. Tive uma boa nota no exame (o que irritou as pessoas do 12o ano de línguas e literaturas, em especial uma rapariga que estava habituada a ter a melhor nota - como eu a percebo!), mas felizmente nunca cheguei a precisar dela.



4- Já comprei um bilhete de avião na sexta-feira para estar com alguém de quem gostava no sábado. - Mentira.
Estive quase, quase a fazê-lo há uns meses, mas não chegou a acontecer por diversas razoes. Talvez um dia.



5- Nunca estive internada no Hospital. - Mentira.
Estive internada duas vezes. Uma vez por uma apendicite, que resultou numa cirurgia e na destruição daquela que teria sido a minha melhor época na natação, e uma vez para esclarecimento de pré-sincopes de repetição (que felizmente resolveram há muito).



6- Já me levantei e saí a meio de uma discussão com uma pessoa muito mais velha do que eu. - Verdade.
Apesar de ter sido um dos, se não o, melhores anos da minha vida, houve um grande período de tempo no 12o ano em que eu andava sob imenso stress. Trabalhava imenso, não sabia se as notas iam chegar para entrar cá, não sabia se conseguia entrar na República Checa, e o meu futuro era basicamente um grande ponto de interrogação. O ano em que concorri ao ensino superior foi o 2o ano em que a Educação Física entrava no calculo da média. A educação física baixava-me significativamente a média (acabei com 15, acho eu). Para relaxar um bocadinho a minha mãe disse que era boa ideia eu ir passar o fim-de-semana com os meus tios, passear na praia, estar com a minha afilhada, esse tipo de coisas. O meu tio convidou também a irmã e o cunhado, sendo que ele era professor de educação física. No final de um dos jantares ele puxou o assunto da educação física contar para a média, eu dei os meus argumentos, falei dos dados que eu conhecia, e ele só me dizia 'A educação física é tão importante como matemática ou biologia, ninguém vai ser bom médico se não tiver boa nota a educação física.'. Quando ouvi isto pela terceira vez, levantei-me e fui para a cozinha lavar a loiça. (E digamos que desde então não simpatizamos muito um com o outro)



7- Tenho o livro "O Principezinho" em mais do que uma língua. - Verdade.
É um dos meus livros favoritos. Não sei precisar quantas vezes já o li, mas foram para lá de muitas. No ultimo verão li-o mesmo antes de ir à Holanda, e decidi que ia começar a comprar o livro na língua de cada pais que visitasse. Tenho-o em português, holandês e francês, este último oferecido pelos meus pais da última vez que estiveram em França
.



E pronto, está respondido. Foi engraçado ver as vossas respostas e ter uma ideia da pessoa que eu pareço ser através do blog. Se as respostas suscitarem alguma duvida, façam o favor de a pôr nos comentários.
Os dias assim fazem-me lembrar a vida em Viseu. Planos feitos à ultima da hora, um 'Vamos comer um gelado mais logo?' que se transforma numa noite de sorrisos e gargalhadas entre amigos. É disto que tenho saudades quando estou em Lisboa, encontros combinados só porque sim, só porque está calor e é quase Verão, e apetece. Porque afinal de contas eu até sou uma rapariga muito fácil de satisfazer, dêem-me um gelado de frutos do bosque, uma noite em que possa andar de manga curta e uma boa companhia e vêem-me feliz.

Saturday, May 12, 2012

O Pedro Ferreira deixou-me um desafio ali nos comentários. Cá vai ele:

Regras:
1. Dizer 7 factos sobre ti (dos quais 3 são mentira);
2. Desafiar os seguidores a descobrir quais os 3 que são falsos;
3. Fazer um post a denunciar as tuas mentirinhas uns dias depois;
4. Passar o desafio, bem como o selo, a 5 seguidores que consideres merecedores, e a quem queiras agradecer o carinho que têm tido contigo

Então aqui vão os factos:
1- Já tentei fugir de casa.
2- Um dia experimentei fumar 'só para o estilo'.
3- Já quis ser tradutora de livros.
4- Já comprei um bilhete de avião na sexta-feira para estar com alguém de quem gostava no sábado.
5- Nunca estive internada no Hospital.
6- Já me levantei e saí a meio de uma discussão com uma pessoa muito mais velha do que eu.
7- Tenho o livro "O Principezinho" em mais do que uma língua.

Aqui está. Vamos lá ver quem acerta nas que são falsas.

Não vou passar isto a ninguém, mas se alguém quiser.. Força nisso ;)